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Tunísia: governo diz que mesma arma foi usada para matar dois opositores

Ministro aponta grupo salafista ligado à Al Qaeda como responsável pelos crimes

Por Da Redação - 26 Jul 2013, 22h47

O governo da Tunísia afirmou nesta sexta-feira que o opositor Mohamed Brahmi foi morto com a mesma arma usada para assassinar Chokri Belaid, outro político secular, em fereveiro deste ano. “A mesma pistola semiautomática 9 milímetros que matou Belaid também matou Brahmi. Não uma arma do mesmo tipo, mas a mesma arma”, reforçou o ministro do Interior, Lotfi Ben Jeddou, em uma entrevista coletiva transmitida ao vivo pela TV estatal.

O ministro apontou como principal suspeito Boubaker Hakim, salafista que já é procurado pela acusação de contrabandear armas da Líbia, informou a rede britânica BBC. Ele faria parte do mesmo grupo que teria orquestrado o assassinato de Belaid, o Ansar al Sharia, conhecido por ter conexões com a Al Qaeda. Os salafistas são adeptos da interpretação radical do Islã e conhecidos por impor sua ideologia com violência.

A morte de Brahmi desencadeou protestos contra o governo liderado pelo Ennahda, acusado de não combater o crescimento do islamismo radical no país. Milhares de pessoas voltaram às ruas da capital nesta sexta, enquanto lojas e bancos ficaram fechados e todos os voos que chegavam e saíam da Tunísia foram cancelados, atendendo à convocação de uma greve geral.

O Ennahda condenou as mortes e acusou os responsáveis de tentar atrapalhar a transição para a democracia. Aliados do partido também fizeram um protesto defendendo a legitimidade do governo.

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Ontem, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar protestos em várias cidades. Em Sidi Bouzid, berço da revolta que derrubou o ditador Zine El Abidine Ben Ali, em 2011, e cidade natal de Brahmi, escritórios do Ennahda foram atacados.

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