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Trump vai reconhecer Jerusalém como capital de Israel

Presidente americano anunciará sua decisão em discurso nesta quarta. Mudança pode provocar turbulência no mundo árabe

Por Da redação
Atualizado em 6 dez 2017, 09h19 - Publicado em 6 dez 2017, 00h42

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai reconhecer em um discurso nesta quarta-feira Jerusalém como a capital de Israel. A informação foi confirmada por membros do governo a diversos veículos de imprensa americanos. Trump também vai iniciar os preparativos para transferir a embaixada americana no país de Tel Aviv para Jerusalém.

Uma promessa eleitoral do republicano, o reconhecimento de Jerusalém — cidade sagrada para judeus e muçulmanos e ponto de disputa entre israelenses e palestinos — como a capital do Estado de Israel pode provocar protestos e turbulência no mundo árabe.

Trump passou a terça-feira dando telefonemas para líderes da região para informar sobre sua decisão. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, o rei da Jordânia, Abdullah II, o rei da Arábia Saudita, Salman, e o presidente do Egito, Abdel Fattah Sisi, foram alguns dos interlocutores. Todos advertiram que a mudança poderia prejudicar os esforços de paz entre israelenses e palestinos.

A transferência oficial da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém pode levar anos, advertiu a Casa Branca nesta terça. Segundo um oficial do governo de Trump, será necessário construir um novo edifício na cidade, o que pode levar pelo menos “entre três e quatro anos”.

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Oposição

“Não sei se isso provocará distúrbios, mas haverá, sem dúvida, manifestações populares em toda parte”, disse Nabil Chaath, oficial de alto escalão do gabinete de Abbas. A medida, acrescentou, “será o fim do papel desempenhado pelos americanos neste processo”.

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O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, foi mais incisivo e disse na terça que o país poderia romper os laços diplomáticos com Israel caso os Estados Unidos tomem uma decisão nessa direção. “Senhor Trump, Jerusalém é a linha vermelha para os muçulmanos”, disse o mandatário turco em uma reunião de governo. “É uma violação da lei internacional tomar uma decisão apoiando Israel enquanto as feridas da sociedade palestina ainda estão sangrando.”

O rei saudita, Salman, advertiu que a medida também pode ser considerada uma provocação para os muçulmanos de todo o mundo. “Este passo perigoso é provocador para os sentimentos de todos os muçulmanos do mundo, devido ao lugar de destaque que ocupa a mesquita de Al Aqsa” em Jerusalém, destacou o monarca, em declarações veiculadas pela agência de notícias oficial da Arábia Saudita, SPA. A mesquita é o terceiro lugar mais sagrado do islã após as cidades sauditas de Meca e Medina.

Uma lei de 1995 determina que a representação dos Estados Unidos fique em Jerusalém e estipula que a cada seis meses Washington justifique, por motivo de segurança nacional, o porquê da manutenção da representação em Tel Aviv. O prazo para anúncio se esgotou na última sexta-feira, sem que houvesse uma manifestação oficial sobre o assunto, informou o jornal britânico The Guardian.

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