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Trump muda de tom ao falar de Coreia do Norte nas Nações Unidas

Washington e Seul assinam acordo comercial que limita exportações coreanas aos EUA; americano para de falar em retirada de forças da península

Se no ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçava “destruir totalmente” a Coreia do Norte ao falar do púlpito do plenário das Nações Unidas, nesta segunda-feira, 24, o líder americano preferiu qualificar o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, como “incrível” e declarar-se pronto para um segundo encontro com ele.

Trump mostrou-se afável com o governo de Pyongyang durante a parte pública de seu encontro com o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, que reuniu-se na semana passada com Kim. As costuras de um acordo que ponha um fim definitivo à Guerra da Coreia, em trégua desde 1953, e ao processo de nuclearização da Coreia do Norte tem sido feitas coordenadamente por Trump e Moon com o ditador norte-coreano.

“Nós conversamos, é óbvio, sobre a Coreia do Norte, onde estamos fazendo um tremendo progresso. O presidente Kim tem sido realmente muito aberto e incrível, francamente”, afirmou Trump, ao lado de Moon. “Eu acho que ele (Kim) quer ver algo acontecer. Nós fizemos muito bem em relação à Coreia do Norte.”

Moon comentou seus encontros em Pyongyang com Kim com indisfarçável interesse em assumir a paternidade dos avanços extraídos.  Disse ainda ter esperanças sobre um segundo encontro entre Trump e Kim, que está em preparação pelos dois lados. Trump, hoje, disse que ocorrerá em “curto período de tempo”.

“É imensamente significante que o presidente Kim pessoalmente expresse seu compromisso com a desnuclearização diante do mundo e da imprensa e que eu sublinhe uma vez mais o acordo de desnuclearização alcançado com o presidente Kim em frente aos 150.000 cidadãos de Pyongyang”, afirmou Moon.

“Agora, a decisão da Coreia do Norte de desistir de seu programa nuclear foi oficializada em um grau que não poderá ser revertido por quem está dentro da Coreia do Norte.”

Trump dedicará uma parte de seu discurso na sessão de abertura dos trabalhos da Assembleia Geral das Nações Unidas, amanhã (25), às negociações dos Estados Unidos com a Coreia do Norte. Autoelogios não serão surpreendentes.

Segundo o secretário de Estado, Mike Pompeo, Trump tratará das ameaças à não-proliferação de armas nucleares e da necessidade de nações responsáveis pararem de espalhar armas e tecnologias. O presidente americano, segundo Pompeo, ressaltará que agora não é o momento de relaxar as pressões sobre essas nações.

Comércio limitado

As declarações dos dois presidentes se deram pouco antes de ambos assinarem emendas ao acordo de livre comércio entre os dois países, de 2012. Seul aceitou reduzir o seu superávit no comércio bilateral por meio da importação de maior volume de veículos e autopeças americanas e da aceitação de uma cota de exportação de aço aos Estados Unidos 30% menor do que seus embarques, em volume, entre 2015 e 2017.

Trump, porém, não voltou a falar na retirada das tropas e bases americanas na Coreia do Sul, como havia declarado em junho, voluntariamente, depois de seu primeiro encontro com Kim, em Singapura.

“Nós tivemos incríveis conversas sobre comércio. Estou muito entusiasmado com o nosso acordo comercial. E é um novíssimo acordo. Este não é um velho acordo reescrito”, declarou o americano.