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Trump diz que EUA podem escoltar petroleiros no Estreito de Ormuz ‘se necessário’

Em entrevista à Fox News, presidente também afirmou que os EUA devem atacar o Irã 'com muito mais força' na próxima semana

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 mar 2026, 15h21 •
  • O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 13, que os Estados Unidos poderão escoltar navios petroleiros que atravessam o estratégico Estreito de Ormuz caso a situação de segurança na região continue se deteriorando. A declaração foi dada em entrevista à emissora conservadora Fox News.

    Segundo Trump, a medida poderá ser adotada para garantir a circulação de embarcações em uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o comércio de energia. O presidente também disse esperar que a ofensiva militar liderada por Washington avance rapidamente e voltou a ameaçar intensificar os ataques contra o Irã nos próximos dias.

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    Em entrevista ao programa de rádio “The Brian Kilmeade Show”, da Fox News, Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam intervir para garantir a passagem de petroleiros pela região.

    “Faríamos isso se fosse necessário. Mas espero que as coisas corram muito bem. Vamos ver o que acontece”, disse o presidente, acrescentando que Washington pretende aumentar a pressão militar contra Teerã. “Vamos atacá-los com muita força na próxima semana”, declarou, sem dar mais detalhes.

    Na véspera, seu secretário de Energia, Chris Wright, já havia afirmado à emissora americana CNBC que, embora a Marinha dos Estados Unidos ainda não realizasse escoltas na região, era “bastante provável” que esse tipo de operação começasse até o fim do mês. Ele também avaliou que, apesar da escalada das tensões, é improvável que o preço do petróleo chegue a US$ 200 – como ameaçou Teerã.

    Temores por crise de abastecimento

    Mesmo assim, companhias de navegação e operadores de petroleiros vêm evitando atravessar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos mundialmente. A redução no fluxo marítimo já provoca preocupação com possíveis impactos no abastecimento energético global.

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    Um levantamento divulgado nesta sexta-feira pela empresa britânica de dados marítimos Lloyd’s List Intelligence aponta que menos de 80 navios atravessaram o estreito desde o início da guerra no Oriente Médio, desencadeada em 28 de fevereiro por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano.

    Segundo a companhia, boa parte das travessias registradas nesse período foi feita por embarcações da chamada “frota fantasma”, termo usado para descrever navios envolvidos em operações destinadas a contornar sanções internacionais, evitar regras de segurança ou reduzir custos com seguros — práticas citadas pela Organização Marítima Internacional como comuns nesse tipo de operação.

    Ataques contínuos

    Do lado iraniano, o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, afirmou que o tráfego na região deve permanecer severamente restrito. Em seu primeiro pronunciamento após suceder o pai, Ali Khamenei, assassinado por bombardeios no primeiro dia de guerra, ele disse que manter a rota fechada é uma forma de pressionar os adversários.

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    Desde 1º de março, ao menos 20 navios comerciais — incluindo nove petroleiros — relataram ataques ou incidentes na região, segundo a agência marítima britânica UKMTO. Já a Organização Marítima Internacional confirmou 16 ocorrências, metade delas envolvendo embarcações que transportam petróleo.

    Na quarta-feira, pelo menos quatro navios foram atacados nas proximidades do Estreito de Ormuz. De acordo com a UKMTO, um porta-contêineres e dois cargueiros foram atingidos por “projéteis desconhecidos”. A Marinha da Tailândia informou ainda que um graneleiro com bandeira do país também foi alvo de disparos enquanto transitava pela região. Os 20 tripulantes foram resgatados.

    Autoridades do Iraque afirmaram que dois navios foram atingidos por embarcações carregadas com explosivos, em um incidente que deixou uma pessoa morta. A empresa de energia Vitol informou ser proprietária das embarcações e confirmou que a vítima estava a bordo do navio Safesea Vishnu.

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    Em outro episódio, um porta-contêineres pertencente à alemã Hapag-Lloyd foi atingido por fragmentos de projéteis nas proximidades dos Emirados Árabes Unidos. A companhia informou que todos os tripulantes estão em segurança.

    Considerado um dos pontos mais sensíveis do comércio global de energia, o Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, encurtando a rota de fornecimento para Ásia e Ocidente. Qualquer ameaça à navegação na região tende a provocar fortes reações nos mercados internacionais.

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