Iraque e Omã fecham terminais de petróleo após novos ataques a navios no Estreito de Ormuz
Ao menos 16 embarcações já foram alvejadas na região, provocando interrupção que configura 'maior crise no mercado petrolífero da história', segundo AIE
O Iraque e Omã fecharam seus terminais de petróleo nesta quinta-feira, 12, após dois petroleiros serem atacados na costa iraquiana. A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que a guerra no Oriente Médio causou “a maior crise no fornecimento da história do mercado global de petróleo”.
A Guarda Revolucionária Islâmica, exército ideológico que responde ao líder supremo, reivindicou a autoria do disparo contra um dos dois petroleiros na costa do Iraque, um navio chamado Safesea Vishnu com bandeira das Ilhas Marshall cujas empresas operadoras são sediadas nos Estados Unidos. Em um comunicado citado pela mídia estatal iraniana, a guarda afirmou que o navio havia “desobedecido e ignorado” alertas.
A nota não mencionou o outro petroleiro, o Zefyros, com bandeira de Malta, cuja operadora tem sede no Reino Unido. Autoridades iraquianas disseram acreditar que o Irã era responsável pelos dois disparos, que resultaram em uma morte. Ambas embarcações eram usadas por Bagdá para transportar petróleo e foram atingidas enquanto estavam em uma área de transferência de carga entre navios.
A agência marítima britânica UKMTO informou que um terceiro barco, outro com bandeira das Ilhas Marshall, foi atingido por um projétil não identificado perto de Dubai. Na quarta-feira, dois projéteis atribuídos à Guarda Revolucionária Islâmica já haviam atingido um graneleiro de bandeira tailandesa na região, bem como um porta-contêineres de bandeira japonesa. De acordo com a UKMTO, ao menos 16 navios que operavam no Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã sofreram ataques desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
As preocupações com a segurança forçaram o fechamento, nesta quinta-feira, de um terminal de exportação de petróleo em Omã. Os portos de petróleo do Iraque também interromperam completamente as operações, embora os portos comerciais continuem funcionando.
Nesta manhã, além dos ataques iranianos contra bases militares e serviços de segurança israelenses, o Catar disse ter interceptado mísseis e a Arábia Saudita destruiu dois drones cujo alvo era o enorme campo petrolífero de Shaybah. O Irã declarou que não permitirá qualquer passagem de carregamentos de petróleo que beneficiem os Estados Unidos e seus aliados pelo Estreito de Ormuz, por onde costumam passar 20% do petróleo e gás consumidos mundialmente. Anteriormente, a Guarda Revolucionária Islâmica garantiu que não permitiria que “um litro de petróleo” fosse exportado da região enquanto o território iraniano continuasse sob ataque.
Os preços do petróleo dispararam após as declarações e ataques renovados, apesar do esforço coordenado dos Estados Unidos e outras grandes economias para acalmar os mercados, com a promessa da AIE, na quarta-feira, de liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas de emergência.
Um relatório mensal divulgado nesta quinta pela AIE indicou que, com o tráfego pelo estreito reduzido, a oferta global de petróleo deverá cair 8 milhões de barris por dia.





