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Novo líder supremo do Irã se pronuncia pela primeira vez com promessa de ‘vingança’

Mojtaba Khamenei diz que a retaliação iraniana contra os EUA e Israel apenas começou e sugere abrir novas frentes da guerra

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 mar 2026, 11h02 • Atualizado em 12 mar 2026, 11h30
  • O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, divulgou sua primeira mensagem pública nesta quinta-feira, 12. Na declaração, postada em seu canal oficial no Telegram e lida por um apresentador na televisão estatal iraniana (autoridades do país temem que quaisquer imagens revelem sua localização e atraiam ataques de Israel e dos Estados Unidos), ele adotou um tom desafiador que não dá indícios de capitulação e prometeu “vingança” contra os inimigas.

    Khamenei disse que “vingar o sangue de seus mártires” — incluindo as cerca de 175 pessoas, a maioria crianças, mortas em um ataque à uma escola infantil iraniana — é uma prioridade máxima do regime.

    “Garanto a todos que não nos absteremos de vingar o sangue de seus mártires. A retaliação que temos em mente não se limita apenas ao martírio do grande líder da Revolução; em vez disso, cada membro da nação que é martirizado pelo inimigo constitui um caso separado no arquivo de vingança”, disse ele.

    Segundo o líder supremo, a retaliação do Irã contra os Estados Unidos e Israel só começou. Khamenei ainda recomendou que os vizinhos árabes do Golfo fechem as bases militares americanas localizadas em seus territórios “o mais rápido possível”, alertando que os ataques continuarão, e prometeu continuar usando o fechamento do Estreito de Ormuz “como vantagem” e “ferramenta de pressão”, algo que já infligiu dor aos mercados globais porque a rota é responsável pelo transporte marítimo de 20% do petróleo e gás consumidos mundialmente.

    “Nossos sinceros agradecimentos vão para nossos bravos combatentes que, em um momento em que nossa nação e amada pátria foram injustamente atacadas pelos líderes da frente da arrogância, bloquearam o caminho do inimigo com seus poderosos golpes e dissiparam a ilusão deles de que são capazes de dominar nosso amado país ou possivelmente dividi-lo”, acrescentou Khamenei.

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    Suas declarações também sugeriram que o Irã pode abrir novas frentes na guerra, caso ela continue, sinalizando o temido retorno às táticas terroristas que os Estados Unidos atribuíram ao país no passado, como o atentado de 1983 contra o quartel dos fuzileiros navais americanos em Beirute.

    “Estudos foram conduzidos sobre a abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e seria altamente vulnerável. Vamos recorrer a isso se a guerra continuar e se for conveniente”, alertou.

    O novo líder afirmou ainda que Washington e Tel Aviv devem pagar uma “compensação” por suas ações ou sofrerem consequências. “Vamos pedir uma compensação ao inimigo. Se não conseguirmos a compensação do inimigo, destruiremos suas propriedades tanto quanto eles destruíram as nossas”, disse Khamenei.

    Estado de saúde do novo líder

    Khamenei não apareceu nas imagens durante sua primeira declaração. Apesar da televisão estatal não ter oferecido nenhuma explicação do porquê, militares israelenses disseram anteriormente ao jornal The New York Times que o líder supremo foi ferido durante o mesmo ataque que matou seu pai e antecessor, Ali Khamenei, no primeiro dia da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos, em 28 de fevereiro, que desencadeou o conflito.

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    Na quarta-feira, o filho do presidente iraniano Masoud Pezeshkian e conselheiro do governo, Yusef Pezeshkian, afirmou que Mojtaba está “são e salvo”, apesar de ter sofrido ferimentos na guerra.

    “Ouvi a notícia de que Mojtaba Khamenei foi ferido. Perguntei a amigos que têm contatos e me disseram que, graças a Deus, ele está são e salvo”, escreveu Pezeshkian em um canal do Telegram.

    Os ataques de 28 de fevereiro não mataram apenas seu pai e antigo líder supremo, mas também a mãe, a esposa e um filho de Mojtaba Khamenei, bem como mais de 40 autoridades da alta cúpula militar iraniana.

    No pronunciamento, o líder supremo contou ter ficado sabendo de sua nomeação pela televisão estatal, sugerindo que também foi pego de surpresa, e usou linguagem florida para descrever seu pai, dizendo que pôde ver seu corpo após a morte – com o punho cerrado, num gesto que, segundo ele, foi um último sinal de resistência.

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    Quem é Motjaba Khamenei

    Nascido em 8 de setembro de 1969, em Mexede, no leste do país, Motjaba é um dos seis filhos de Ali, e o único com uma posição pública, embora não ocupasse até o momento um cargo oficial. Com sua barba grisalha e o turbante negro usado pelos seyed –título honorífico que reconhece os descendentes do profeta Maomé–, ele é apontado como figura importante do núcleo do poder no Irã, atuando nos bastidores.

    Em 2019, o Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções a ele, justificando que Mojtaba Khamenei “representava oficialmente o líder supremo, embora nunca tenha sido eleito nem nomeado para um cargo governamental além de suas funções no escritório do pai”. Ali Khamenei “delegou parte de suas responsabilidades de liderança ao filho”, que trabalhou “em estreita colaboração” com unidades da Guarda Revolucionária “para avançar as ambições regionais desestabilizadoras de seu pai e seus objetivos repressivos internos”, acrescentou o Tesouro.

    Motjaba é considerado próximo dos conservadores, especialmente por seus vínculos com a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da república islâmica. Essa relação remonta à sua participação em uma unidade de combate no final da longa guerra entre Iraque e Irã (1980-1988).

    Opositores o responsabilizam por desempenhar um papel na violenta repressão após a reeleição do presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad em 2009, que provocou um amplo movimento de protesto.

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    Segundo uma investigação da Bloomberg, Mojtaba Khamenei enriqueceu consideravelmente ao tecer uma extensa rede de empresas de fachada no exterior. No campo religioso, estudou teologia na cidade santa de Qom, ao sul de Teerã, onde também deu aulas.

    Ele ocupa o posto de hojatoleslam, título concedido a clérigos de nível intermediário, inferior ao de aiatolá que era ostentado por seu pai e por Ruhollah Khomeini, líder da revolução iraniana de 1979.

    O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, advertiu na semana passada que qualquer sucessor de Ali Khamenei se tornaria “um alvo”.

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