Petróleo a US$ 200: quais seriam os impactos para a economia global e o Brasil
Escalada da commodity poderia pressionar inflação, manter juros elevados e aumentar custos de energia e transporte no mundo
Por Carolina Ferraz
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12 mar 2026, 11h43 • Atualizado em 12 mar 2026, 15h08
Refinaria de petróleo da estatal Saudi Aramco, em Ras Tanura, na Arábia Saudita: país é alvo de ataques do Irã (Getty/Getty Images)
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O governo do Irã afirmou que o mundo deve se preparar para a possibilidade de o petróleo atingir 200 dólares por barril, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio. A declaração ocorre após ataques contra navios petroleiros na região do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global de petróleo.
Em resposta ao aumento das tensões e ao risco de interrupções no fornecimento, a Agência Internacional de Energia (IEA) anunciou nesta semana a liberação de cerca de 400 milhões de barris das reservas estratégicas mantidas por países membros, entre eles Estados Unidos, Canadá, México, Alemanha e Japão. A medida busca reduzir a volatilidade no mercado e garantir maior oferta diante das incertezas geopolíticas.
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Em declaração direcionada a Washington, um porta-voz do comando militar iraniano afirmou que o preço do petróleo está diretamente ligado à segurança na região e acusou os Estados Unidos de contribuírem para a instabilidade local.
Caso a commodity avance para níveis próximos de 200 dólares, os impactos poderiam se espalhar rapidamente pela economia global. Como o petróleo é um dos principais insumos da atividade econômica, uma alta dessa magnitude tende a elevar os custos de combustíveis, transporte e energia, afetando cadeias produtivas em diversos setores, da indústria ao agronegócio.
Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o principal risco imediato seria o impacto sobre os combustíveis, a depender do repasse da Petrobrás para os distribuidores. “Neste patamar de US$ 200,00/barril, o impacto nas bombas aos consumidores, se integralmente repassado, seria muito significativo aos motoristas. Esse choque de preços poderia ter derivadas também sobre expectativas de inflação e movimento inercial, mexendo com as perspectivas para a política monetária”, disse Bruno.
Historicamente, choques no preço do petróleo costumam estar associados a períodos de desaceleração econômica. Com custos de energia mais elevados, empresas tendem a repassar parte dessas despesas aos consumidores, enquanto famílias enfrentam perda de poder de compra, o que pode enfraquecer o consumo. Além disso, uma escalada expressiva da commodity pode dificultar o processo de desinflação em várias economias, levando bancos centrais como o Federal Reserve e o Banco Central Europeu a manter taxas de juros elevadas por mais tempo.
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Bruno Yamashita, Coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue acredita que o reflexo da alta do petróleo seria basicamente uma pressão de inflação global, porque o petróleo não está só atrelado ao preço do combustível, e sim atrelado a basicamente todos os setores da economia. Em relação as moedas, Bruno explica que países emergentes podem sofrer muito com as reações do mercado. “Em um cenário muito estressado, as moedas e os países emergentes também vão sofrer porque no bolo de aversão ao risco, o emergente também acaba sofrendo junto. Então, esse seria um cenário global que impactaria o Brasil e a moeda”, pontuou Bruno.
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Economia brasileira em meio ao aumento do petróleo
No caso do Brasil, os efeitos seriam mistos. Embora o país seja um grande produtor e exportador de petróleo, o aumento da commodity também tende a pressionar o preço de combustíveis no mercado interno. Com gasolina e diesel mais caros, o impacto pode se espalhar por toda a economia, elevando custos de transporte e logística e pressionando índices de inflação.
Para Alex André, economista e Head de Corporate Access da MZ, a alta no preço do dólar é principalmente por conta da busca por proteção. Em relação a inflação, ela também sobe, porque esse efeito é repassado por toda a cadeia: logística, produção de alimentos, fertilizantes. “Toda a cadeia acaba sendo impactada nesse cenário, o que também pressiona o Banco Central em relação aos juros. Isso acaba gerando uma expectativa de juros que, não diria necessariamente maior do que a atual no Brasil, mas acima do que o mercado esperava. Antes, a projeção era de algo próximo de 12% no fim do ano, e agora deve fechar mais perto de 13% nesse sentido. Isso já começa a ser sentido na curva”, explica Alex.
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Por outro lado, empresas do setor de energia e petróleo listadas na bolsa brasileira, como a Petrobras, poderiam se beneficiar de preços mais elevados da commodity, já que receitas de exportação e margens de produção tendem a aumentar. Outro efeito possível seria no câmbio. Países exportadores de petróleo costumam registrar melhora nas contas externas quando os preços da commodity sobem, o que pode ajudar a sustentar o valor da moeda local.
Ainda assim, economistas alertam que um choque dessa magnitude teria potencial de elevar a volatilidade nos mercados globais, especialmente se vier acompanhado de tensões geopolíticas prolongadas no Oriente Médio.
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