Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Trump comemora com ‘aplausos’ renúncia de Evo Morales

E o presidente deixa claro que o se ocorreu na Bolívia "é um claro sinal aos governos ilegítimos" da Venezuela e Nicarágua

Por Da Redação - Atualizado em 11 nov 2019, 18h03 - Publicado em 11 nov 2019, 17h36

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou nesta segunda-feira, 11, o posicionamento americano sobre a crise política e institucional que assola a Bolívia desde as eleições em 20 de outubro. Na nota, Trump diz que “aplaude” o povo e os militares bolivianos e que a renúncia do ex-presidente Evo Morales enviou “um recado aos governos ilegítimos” do continente americano.

“A renúncia de Evo Morales preserva a democracia e prepara o caminho para o povo boliviano ser ouvido. Os Estados Unidos aplaudem tanto o povo boliviano por demandarem liberdade quanto os militares bolivianos por optarem cumprir sua promessa de defender não uma pessoa, mas a Constituição”, afirma a nota divulgada pela Casa branca.

Trump também envia um alerta aos países em que ocorrem crises similares de ilegitimidade do governo no continente americano dizendo que “esses eventos enviam um sinal claro aos regimes ilegítimos para a Venezuela e Nicarágua mostrando que a democracia e a vontade popular irão prevalecer”.

OEA pede respeito ao Estado de Direito

A Organização dos Estados Americanos (OEA)  também pediu nesta segunda-feira que a crise política e institucional, instaurada na Bolívia seja solucionada com a pacificação e o “respeito ao Estado de Direito” além de “rechaçar qualquer saída inconstitucional” da crise.

Publicidade

A OEA “solicita que se reúna de forma urgente a Assembléia Legislativa Plurinacional da Bolívia para que se assegure o funcionamento institucional nomeando novas autoridades eleitorais que garantam um novo processo eleitoral”, afirma a nota reiterando a importância da continuidade das investigações da Justiça boliviana que apuram a autoria de “delitos vinculados ao processo eleitoral” de outubro.

Essa é a primeira vez que a OEA se pronunciou após Morales ter deixado o cargo de presidente no domingo 10. Antes da renúncia do então presidente, a organização recomendava a Morales que anulasse as eleições e marcasse a data para um novo pleito após ter concluído a auditoria eleitoral feita à pedido do governo boliviano constatando que houve irregularidades tanto no dia da votação quanto na apuração dos votos.

Morales aceitou o pedido da OEA e anulou as eleições, mas o gesto não foi suficiente para que as Forças Armadas viessem a púbico e recomendassem sua saída — a fala foi recebida como “golpista” tanto pelo ex-presidente quanto por apoiadores nacionais e internacionais —, Morales logo anunciou sua renúncia seguido pelos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, deixando a linha sucessória vacante.

A Constituição boliviana diz que em caso de vacância de poder, novas eleições deverão ocorrer em até 90 dias. A vice-presidente do Senado, Jeanine Añez, disse que os Parlamentares se reunirão nesta terça-feira para acatar o pedido de renúncia do ex-presidente e marcar eleições para o dia 22 de janeiro de 2020.

Publicidade

Os protestos que ocorrem e se intensificaram desde o dia 20 de outubro, quando Morales se proclamou vencedor das eleições presidenciais, tem como origem em 2016, quando o ex-presidente apelou para a Suprema Corte boliviana contra um referendo que tinha como objetivo dar o aval de Morales disputar o quarto mandato seguido foi derrotado com uma pequena margem de votos. A Corte decidiu que, apesar do voto popular, o ex-presidente tinha o direito de se candidatar novamente.

Publicidade