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Três parlamentares deixam o partido de Theresa May

Elas anunciaram que irão se unir ao Grupo Independente, movimento fundado por trabalhistas que abandonaram o partido de oposição

Três parlamentares a favor da permanência do Reino Unido na União Europeia deixaram o Partido Conservador britânico nesta quarta-feira, 20. Eles afirmaram que irão se juntar ao chamado Grupo Independente, uma dissidência que surgiu na última semana e é formada por políticos insatisfeitos com a condução do acordo do Brexit.

A saída de Heidi Allen, Anna Soubry e Sarah Wollaston é mais uma derrota para a primeira-ministra Theresa May, que tenta unir seu partido em torno de seus planos para o Brexit no próximo dia 29 de março. Em comunicado, as legisladoras disseram que a decisão foi motivada “pelo manejo desastroso do governo” em relação ao fim da aliança com o bloco.

“Nós não sentimos que podemos permanecer em um partido com políticas e prioridades tão alinhadas com o ERG e o DUP”, afirmaram os ex-conservadores, se referindo ao grupo de legisladores pró-Brexit e ao Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte, que apoia as opiniões do governo britânico sobre seu território e a polêmica questão da fronteira com a República da Irlanda.

Em resposta, May disse estar triste com a decisão dos parlamentares mas reafirmou que está fazendo o melhor pelo Reino Unido. “Quando implementamos a decisão do povo britânico estamos fazendo a coisa certa para o nosso país. E assim, podemos seguir rumo a um futuro melhor”, declarou por meio de um comunicado, pouco antes de ir ao Parlamento responder perguntas.

As dissidências partidárias começaram no início desta semana, quando sete parlamentares do Partido Trabalhista anunciaram um novo movimento, o Grupo Independente, se dizendo frustrados com as estratégias políticas e acusando o líder da oposição, Jeremy Corbyn, de antissemitismo.

Na terça-feira 19, outro político trabalhista se juntou a seus colegas e a expectativa é de que mais parlamentares, tanto da oposição quanto do partido governista, assumam mandatos independentes. As renúncias ameaçam a tradicional divisão bipartidária do poder britânico.

Os apoios perdidos pela primeira-ministra podem enfraquecer ainda mais seu poder de negociação. Ainda nesta quarta-feira May irá a Bruxelas para um encontro com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em que tentará abrir margem para futuras revisões de seu acordo.

Ela tem apenas 37 dias para tentar resolver os impasses antes do Brexit, a maior mudança econômica do Reino Unido em mais de 40 anos. Seu acordo sofreu uma derrota mês passado com a oposição dos dois lados do Parlamento, que disseram que a oferta oferecia o pior dos mundos. A crise das dissidências se junta às moções de desconfiança e inúmeras acareações que desafiam May depois de quase dois anos de discussões em torno da saída do bloco econômico.

(com Reuters)