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Timor Leste elege presidente no sábado com a paz como prioridade

Dez anos depois de sua independência, Timor Leste elegerá no sábado seu presidente, que terá a pesada tarefa de tirar o pequeno país da pobreza e garantir a paz uma vez finalizada a retirada dos Capacetes Azuis da ONU.

Amontoados em velhos ônibus ou em grupos de até quatro pessoas em cada motocicleta, os partidários alegram com suas coloridas bandeirolas as poucas ruas asfaltadas da minúscula capital, Dili, com menos de 200 mil habitantes.

Vestindo camisetas com o símbolo de seus candidatos, lançam “vivas” que relembram seu passado de ex-colônia portuguesa, e com isso chamam momentaneamente a atenção de alguma vaca errante ou de crianças nuas que brincam nas poças deixadas pela última monção.

“Faremos com que sejamos ouvidos nas urnas”, disse Efrem Viegas, um estudante de 21 anos que participa de sua primeira campanha eleitoral. Trata-se apenas da segunda eleição presidencial realizada no país desde sua independência, em 2002.

O ambiente é visivelmente ameno, diferentemente das eleições presidenciais de 2007, que ocorreram em um ambiente de violência.

Assim, os 1,1 milhão de timorenses alimentam a esperança de uma paz duradoura que lhes permita sair da pobreza. O país, situado 600 quilômetros a noroeste da Austrália e no extremo Leste da Indonésia, é o mais pobre da Ásia.

Em um continente que frequentemente gera inveja no resto do mundo, mais da metade dos timorenses vive abaixo da linha da pobreza, e uma porcentagem igual se mantém no analfabetismo.

Descolonizado de Portugal em 1975, o país foi invadido pela Indonésia apenas três dias mais tarde, dando início a 24 anos de conflito. Segundo uma comissão independente, cerca de 200 mil pessoas foram assassinadas, ou quase um quarto da população timorense na época.

A ONU situou o país sob mandato em 1999, após a saída das tropas indonésias, e isso permitiu sua independência três anos mais tarde, em 2002.

A história do país continuou marcada pela violência, mas Timor Leste vive em calma há vários anos, e por essa razão a ONU anunciou a retirada de seus Capacetes Azuis no fim deste ano, o mesmo que será feito pelas forças australianas.

O novo presidente, que provavelmente será eleito apenas depois de um segundo turno, em meados de abril, terá que lutar para que seu país permaneça em paz.

“Se tudo ocorrer de forma pacífica, isso mostrará que estamos prontos”, explicou Aderito Hugo da Costa, deputado do CNRT (centro-esquerda), partido presidido pelo atual primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

Esta calma retoma as esperanças de desenvolvimento, que se alimenta das reservas de combustíveis explorados na ilha. Um fundo de 9 bilhões de dólares foi criado com recursos provenientes de petróleo e gás.

A utilização destes recursos foi o tema central da campanha, em uma discussão que deverá continuar até as eleições legislativas.

“Nos últimos quatro ou cinco anos, cerca de um bilhão de dólares foi colocado na economia. Mas olhe em volta. Para onde foi esse dinheiro?”, disse Francisco ‘Lu Olo’ Guterres, líder do partido Fretilin (esquerda, maior força da oposição).

“É a corrupção”, lamenta o candidato.

Entre os 12 aspirantes presidenciais em disputa, Lu Olo é o favorito. O atual presidente, José Ramos Horta, ícone da luta independentista e Prêmio Nobel da Paz em 1996, venceu com facilidade as eleições de 2007,contra o mesmo Lu Olo.

Desta vez, no entanto, terá mais dificuldades, já que, diferentemente de 2007, não terá o apoio do partido CNRT, que preferiu defender a candidatura do ex-comandante do Exército general Taur Matar Ruak.