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Tensão social na Grécia continua a 3 dias de aprovação de ajuda financeira

Andrés Mourenza.

Atenas, 17 fev (EFE).- Há três dias da reunião do Eurogrupo que dará sinal verde para a Grécia receber um novo socorro financeiro, no valor de 130 bilhões de euros, a tensão social não terminou definitivamente no país.

Enquanto isso, a incerteza sobre a convocação ou não de eleições antecipadas, que estavam inicialmente previstas para abril, continua.

Durante toda essa semana ocorreram protestos contra os cortes no orçamento e o fechamento de órgãos estatais, exigidos pela troika, formada pelo Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional em troca do novo empréstimo.

Nesta sexta-feira, algumas dessas manifestações geraram leves distúrbios. Um grupo de cerca de 400 jovens, principalmente estudantes do ensino médio convocados por meio da internet, concentraram-se em frente ao Parlamento, em Atenas, para protestar contra o governo e o acordo da troika, e bloquearam o trânsito no local.

O ato transcorreu na sua maior parte de maneira pacífica, como comprovou a Agência Efe. A polícia, no entanto, dissolveu rapidamente o protesto alegando que os manifestantes lançaram ‘pedras, pedaços de madeira e laranjas’ contra as forças de segurança e um agente sofreu ferimentos leves no rosto. Três jovens, de 18, 21 e 24 anos, foram detidos.

Em Iraklion, capital da Creta, a maior ilha grega, estudantes também realizaram uma manifestação nesta sexta-feira para reclamar das medidas de austeridade e dos cortes na educação pública. Um jovem de 14 anos foi detido após lançar pedras na polícia, informou o site ‘In.gr’.

Em frente à embaixada da Alemanha em Atenas, um grupo formado por artistas alemães e ativistas gregos protestou contra o comportamento de Berlim na condução da crise grega.

Uma cidadã alemã jogou um ovo contra a fachada do edifício e dez pessoas foram detidas e liberadas após serem levadas para a delegacia.

A Coalizão de Esquerda Radical (SYRIZA) denunciou que um deputado da coligação, Panayotis Lafazanis, e o presidente do Sindicato de Jornalistas Gregos, Dimitris Trimes, foram agredidos pela polícia.

Um bom exemplo da tensão que se respira no país é a informação divulgada nesta semana pelo canal público ‘NET’, que relatou que metade dos deputados da ilha de Creta não assistiram à votação do pacote no domingo passado por medo de represálias da população.

Após a aprovação do plebiscito, nesta semana foram atacados os escritórios de trabalho dos parlamentares em Iraklion e em outras localidades do país.

Enquanto isso, o governo grego se prepara para a reunião do Eurogrupo, e nesta sexta-feira, o primeiro-ministro do país, Lucas Papademos, realizou uma teleconferência com seu colega italiano, Mario Monti, e a chanceler alemã, Angela Merkel.

Em comunicado, Monti afirmou que ‘os três participantes se mostraram confiantes’ de que um acordo será alcançado na segunda-feira.

Outro elemento de tensão é a incerteza sobre as eleições, enquanto o país continua dirigido por um governo que não foi eleito pela população. Ao mesmo tempo, surgem rumores na imprensa de que os membros da União Europeia (UE) reivindicam a formação de um gabinete formado por tecnocratas.

Em Bruxelas, sede da UE, teme-se que as urnas elejam um governo contrário às medidas de austeridade, algo que segundo as últimas pesquisas não seria difícil de acontecer, já que o favorito para as próximas eleições é o partido Nova Democracia (ND).

Apesar de no início da semana governo ter assegurado que o pleito ocorreria em abril, na teleconferência do Eurogrupo nesta quarta-feira as perguntas neste sentido receberam respostas ambíguas.

‘O trabalho do governo continua e depois se decidirá sobre as eleições. Estamos procedendo de acordo com o estipulado’, disse hoje o porta-voz do governo, Pantelis Kapsis, em entrevista ao canal ‘Skaï’. EFE