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Temendo epidemias, filipinos enterram mortos em valas comuns

Risco de contaminação e odor forte motivaram a decisão em Tacloban, cidade mais afetada pela tragédia. Prioridade é ajudar os sobreviventes

Por Da Redação 14 nov 2013, 07h11

Vários corpos, muitos deles não identificados, devem ser enterrados nesta quinta-feira em fossas comuns, uma tarefa sombria mas essencial para a cidade filipina de Tacloban, a mais atingida pelo tufão Haiyan, onde os sobreviventes imploram por ajuda. Quase uma semana depois da passagem do supertufão, que provocou milhares de mortes, quase 200 sacos mortuários estavam alinhados diante da prefeitura de Tacloban, capital da ilha de Leyte.

“Há muitos corpos em muitos lugares. Isto provoca medo”, disse o prefeito Alfred Romualdez. O persistente odor da decomposição é sentido em toda a cidade, e ainda há o fato de os corpos atraírem aves e ratos, ampliando riscos de epidemias. Em Tacloban as operações de recuperação dos corpos são organizadas aos poucos, mas as autoridades locais precisam de ajuda. “Não posso utilizar um caminhão para recolher cadáveres pela manhã e utilizá-lo à tarde para distribuir ajuda”, disse o prefeito Romualdez.

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O Conselho para a Gestão e Redução de Desastres das Filipinas elevou nesta quinta-feira para 2 357 o número de mortes provocadas pelo tufão. O órgão prossegue com uma lenta apuração oficial e seu último relatório publicado também informa que 3 853 pessoas ficaram feridas e 77 estão desaparecidas. Em um primeiro momento, a ONU anunciou um balanço possível de 10 000 mortos, mas após os trabalhos de resgate constatou-se, felizmente, que a expectativa era muito elevada.

No total, o Conselho informou que 1,8 milhão de famílias, cerca de 8 milhões de pessoas, foram atingidas pelo tufão em 54 cidades do país. Aproximadamente 112 000 dessas famílias tiveram que abandonar suas casas por causa do desastre e buscam alojamento em algum dos 1 099 abrigos habilitados pelas autoridades, acrescentou o órgão governamental. As autoridades estimaram que cerca de 80 000 casas ficaram completamente destruídas por causa dos ventos de mais de 225 quilômetros por hora e pela subida do nível do mar em até 4 metros. (continue lendo o texto)

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A ajuda aos sobreviventes deve ser intensificada, afirmou Valerie Amos, diretora de operações humanitárias da ONU, que considerou a situação “lúgubre”. “Os que conseguiram partir para regiões menos afetadas já o fizeram. Muitos outros tentam fazer o mesmo”, declarou. Milhares de sobreviventes, desesperados e furiosos com a lentidão da ajuda, tentaram na quarta-feira embarcar nos raros voos disponíveis para fugir das áreas mais afetadas pelo tufão.

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Ajuda financeira – Após avaliação dos estragos e cálculos, a ONU pediu que a comunidade internacional enviasse 301 milhões de dólares às Filipinas para os trabalhos de emergência nos próximos seis meses. A Cruz Vermelha, por sua vez, pediu 94 milhões de dólares para minimizar os efeitos da catástrofe. A organização disse que o montante atenderá a 100 000 famílias com alimentos, água potável e abrigo.

Por enquanto, o governo britânico se comprometeu a doar 24 milhões de dólares, enquanto a Austrália destinará cerca de 9,3 milhões dólares e a Nova Zelândia, 1,6 milhão de dólares. A Comissão Europeia anunciou que enviará 10 milhões de dólares, ao passo que a Alemanha enviou uma carga com 23 toneladas de ajuda em materiais e alimentos. O Japão mobilizou uma equipe de ajuda com 25 médicos e profissionais da saúde e afirmou que doará 10 milhões de dólares. Já o governo da China, num primeiro momento, anunciou na segunda-feira uma ajuda menos substancial, de apenas 100 000 dólares. Após críticas, os chineses aumentaram o valor para 1,6 milhão de dólares.

Tragédia – De acordo com os dados oficiais, o tufão Haiyan já é o terceiro maior desastre natural em número de mortes da história das Filipinas. Só é superado pelo tsunami de 1975, que causou entre 5 000 e 8 000 mortos no sul da ilha de Mindanao, e as inundações provocadas em 1991 pela tempestade Thelma, que matou a 5 100 pessoas na cidade de Ormoc, na ilha de Leyte.

(Com agências France-Presse e EFE)

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