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Surto de cólera no Haiti pode durar pelo menos um ano, avalia ONU

Segundo relatório, devem ser confirmados outros 200.000 casos ao longo dos próximos doze meses; até agora, mais de 800 pessoas morreram

Por Da Redação 15 nov 2010, 21h01

O medo, a confusão e a desinformação estão caminhando junto à epidemia no país. Espalhou-se um boato de que a doença teria chegado ao Haiti através de uma base militar de soldados do Nepal. Enfurecidos, centenas de haitianos apedrejaram bases da ONU nesta segunda-feira

O número de atingidos pelo surto de cólera no Haiti é alarmante e deve aumentar no próximo ano. O país, que ainda lida com as consequências do devastador terremoto de janeiro, registra mais de 12.000 haitianos hospitalizados e mais de 800 pessoas mortas pela doença, transmitida por água e alimentos contaminados. Estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgada nesta segunda-feira, aponta que outros 200.000 casos devem ser confirmados nos próximos doze meses.

Nigel Fisher, chefe da missão da ONU no Haiti, disse que esses índices ficarão “cada vez mais realistas”, uma vez que a coleta de dados sobre os casos está mais eficaz. “Isso tem ido muito além de uma questão de saúde ou saneamento. É uma questão de preocupação ambiental, de segurança nacional”, afirmou.

Para conter a epidemia, meio milhão de comprimidos de água, sabão e sais de reidratação oral estão sendo distribuídos em áreas onde a cólera já tenha sido detectada. A prioridade da ONU agora é impedir a propagação da doença.”Nossa ênfase é na tentativa de conter o número de mortes do que vai ser um surto muito grave”, disse Fisher. Segundo ele, a estratégia de comunicação está se ampliando, “e não apenas com informações sobre como as pessoas podem se proteger através de uma melhor higiene, mas também com exemplos de como um centro de tratamento de cólera próximo é realmente uma vantagem e não é uma ameaça à saúde.”

Boatos – O medo, a confusão e a desinformação estão caminhando junto à epidemia no país. Espalhou-se um boato de que a doença teria chegado ao Haiti por meio de uma base militar de soldados do Nepal, país que teve um surto de cólera recentemente. Os soldados estão instalados desde outubro perto do rio Artibonite, região que seria o ponto de partida da doença.

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Furiosos com as tropas da missão de paz, centenas de haitianos apedrejaram esta segunda-feira soldados do Nepal na cidade de Cap-Haïtien. Os manifestantes jogaram pedras contra outras bases da ONU e delegacias da polícia em outros pontos da cidade. A polícia haitiana e tropas das Nações Unidas reagiram com gás lacrimogêneo.

A ONU reconheceu que existem alguns problemas de saneamento na base do Nepal, mas afirma que os soldados não foram responsáveis pelo surto de cólera no Haiti. “A conclusão foi que seria impossível determinar de onde e como veio a doença”, disse Fisher.

Política – Políticos haitianos da oposição e candidatos à presidência do país aproveitaram o incidente como pretexto para denunciar a presença dos 12.000 soldados da ONU no país, antes das eleições presidenciais de 28 de novembro.

No último domingo, o presidente do Haiti, René Préval, tentou acalmar os ânimos e fez um discurso na televisão. Ele desmentiu os boatos e instruiu a população sobre normas de higiene, como a necessidade de lavar as mãos com água limpa antes de manusear alimentos e beber água limpa e potável. A orientação, no entanto, é difícil de ser seguida, já que em grande parte do país a água limpa e tratada é escassa.

(Com Agência Estado)

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