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Socialista François Hollande é eleito presidente da França

Nicolas Sarkozy já reconheceu sua derrota e desejou ao adversário 'boa sorte'

O socialista François Hollande venceu o segundo turno das eleições na França neste domingo, com cerca de 52% dos votos, e é o novo presidente do país, segundo resultados parciais. O atual mandatário, Nicolas Sarkozy, reconheceu sua derrota antes mesmo dos números oficiais e desejou ao adversário “boa sorte”.

Hollande pode ser definido como a antítese do atual presidente. Além das divergências políticas, o socialista busca se tornar um presidente “amável” e “consensual”, afastando-se da imagem de estadista centralizador e personalista, mantida por Sarkozy. Ele tenta se mostrar forte e “tenaz”, sua principal qualidade, de acordo com seu amigo, o ex-ministro Michel Sapin.

François Hollande afirma que é a “pessoa que pode mudar o país”, uma velha democracia considerada “maltratada” pelo exercício brutal do poder do atual presidente, descrito por ele como “hiperpresidente”. Em contraposição, Hollande quer ser um presidente “normal”. No plano moral, quer que a ação do estado volte a ser “exemplar” e critica a “tendência personalista” e de “exposição permanente” de Sarkozy.

Em seus últimos discursos e entrevistas, Hollande já vinha adotando um tom presidencial, apesar tentar evitar o triunfalismo de antecedência e afirmar que “imaginar uma eleição já ganha seria um fracasso político, e até mesmo moral”. No debate de quinta-feira, soube rebater as investidas de Sarkozy e até atacá-lo na mesma moeda. Não houve nocaute, mas Hollande conseguiu manter a soberania na disputa e “marcar pontos” ao apresentar como estadista.

Histórico – Aos 57 anos, nascido em uma família burguesa da província de Rouen, no noroeste do país, Hollande estudou em uma prestigiada escola de ensino superior e berçário da elite política francesa. Lá conheceu a que foi sua companheira por 25 anos e mãe de seus quatro filhos, Ségolène Royal, que foi a candidata socialista à Presidência em 2007. Acusado por opositores de não ter experiência para assumir o cargo, Hollande foi prefeito, deputado e presidente do Departamento de Corrèze.

Hollande surgiu como alternativa real para a presidência francesa após o ex-presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, ser preso em Nova York sob a acusação de agressão sexual e se envolver em um escândalo que culminou com o sepultamento de suas credenciais políticas. A partir dali, Hollande iniciou sua disparada nas pesquisas, que o colocam como provável vencedor ante Sarkozy no segundo turno.

Pró-Comunidade Europeia, Hollande tinha como carro-chefe a promessa de reforma tributária e justiça social. “Não se impressione por nada”, diz aos seus partidários, para os quais o candidato seria o único capaz de encarnar uma alternativa contra Nicolas Sarkozy.

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Primeira-dama – Valérie Trierweiler, de 47 anos, é filha de um pai deficiente e de uma mãe que trabalhava como caixa em uma pista de patinação na província de Angers, no oeste da França. Valérie, que está com Hollande desde 2007, pode representar o “toque glamour” que falta ao candidato socialista, que se define como alguém “normal”.

A vitória de Hollande significa uma reviravolta na vida da jornalista que escreveu sobre os políticos e os entrevistou durante 20 anos. “Que impacto ver minha foto na primeira página da própria publicação! Revolta de descobrir a utilização de fotos sem minha aprovação ou uma prevenção”, escreveu, indignada, no Twitter em março, depois que a revista Paris Match, para a qual trabalha, publicou um artigo com o título O ás de encanto de François Hollande.

Divorciada e mãe de três adolescentes, a jornalista mudou o nome de trabalho e abandonou o noticiário político para evitar contradições entre o papel profissional e o papel na campanha, da qual participou com a presença nos comícios e dando opiniões sobre vários assuntos.

(Com agência France-Presse)