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Síria: paradeiro de jornalista francesa ferida ainda é incerto

Sarkozy voltou atrás em sua declaração de que Edith Bouvier estaria 'a salvo'

Por Da Redação 28 fev 2012, 16h15

Após uma declaração anterior, que dizia que a jornalista francesa Edith Bouvier estaria a salvo no Líbano, o presidente Nicolas Sarkozy voltou atrás e afirmou que o paradeiro de Edith ainda é incerto. “Eu fui impreciso, peço desculpa a todos”, declarou Sarkozy, explicando que a situação é “extramente complexa”. Não se sabe sequer se a jornalista ainda se encontra na Síria. Já o fotógrafo independente britânico Paul Conroy, que também foi ferido na Síria, de fato encontra-se no Líbano, depois de conseguir sair da cidade atacada de Homs. Na operação de retirada, que durou 26 horas, morreram 13 pessoas, segundo o jornal The Times.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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O Sunday Times, semanário para o qual Conroy trabalhou, havia confirmado mais cedo a chegada do fotógrafo ao Líbano. Pouco depois, o Foreign Office (Ministério das Relações Exteriores britânico) também afirmou em um comunicado que Conroy estava recebendo “assistência consular” na embaixada da Grã-Bretanha no Líbano. A retirada de Paul Conroy, de 47 anos, também foi anunciada horas antes por seu pai, Les, à imprensa britânica. Pouco depois, informou que sua esposa falou com o filho e que achou que estava “muito animado”. O governo britânico não confirmou em um primeiro momento esta informação.

Paul Conroy foi ferido na quarta-feira da semana passada junto a Edith Bouvier em um bombardeio que custou a vida da repórter americana do mesmo dominical Marie Colvin, de 56 anos, e do fotógrafo francês Rémi Ochlik, de 28 anos. A saída dos dois jornalistas ocorreu um dia após uma fonte diplomática em Damasco ter informado sobre o fracasso de uma nova tentativa de retirar os jornalistas presos em Homs e os corpos dos dois falecidos. A esposa do fotógrafo, Kate, declarou-se “encantada e transbordando de alegria”, embora tenha afirmado que ainda não havia falado com o marido.

Pai de três filhos, Conroy pediu ajuda após o bombardeio em um vídeo colocado no YouTube. Na gravação, aparecia deitado em um sofá e coberto com uma manta e dizia que tinha “três grandes ferimentos” em uma perna e lesões no estômago provocadas por estilhaços, mas tranquilizava seus familiares e amigos dizendo que estava bem.

Negociações – A equipe do Crescente Vermelho Árabe Sírio (CRAS), que negociava com as autoridades e os rebeldes, se retirou nesta terça-feira de Homs (centro) por falta de um acordo sobre a evacuação dos jornalistas ocidentais presos no bairro de Baba Amr, bombardeado pelo exército sírio, indicou seu presidente. “Nossa equipe regressou a Damasco às 12h30 GMT (9h30 de Brasília) depois de ter negociado na segunda e nesta terça com um xeque (autoridade religiosa) que atuava como intermediário”, indicou Abdel Rahman Atar, presidente do CRAS.

“O xeque pediu alimentos e medicamentos para os habitantes de Baba Amr e nossa equipe aceitou. Em troca, pedimos para ver os prisioneiros, mas ele rejeitou”, acrescentou Atar. “É uma pena, mas tenho a impressão de que em Baba Amr não são claros conosco”, disse Atar. Já o porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Saleh Debakeh, anunciou que seus representantes também retornaram de Homs. “As negociações foram interrompidas e a situação é muito tensa na região de Baba Amr”, acrescentou Dabakeh.

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