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Síria: indignação com o veto da China e da Rússia na ONU

Por Anwar Amro 5 fev 2012, 17h25

O veto sino-russo na ONU contra uma resolução condenando a repressão na Síria provocou, neste domingo, indignação no mundo árabe, no Ocidente e entre a oposição, enquanto a violência no país não dá qualquer sinal de arrefecimento.

Após o fracasso dos esforços diplomáticos nas Nações Unidas, os Estados Unidos anunciaram a vontade de reforçar as sanções contra Damasco, para fazer secar as fontes de financiamento e as entregas de armas ao regime do presidente Bashar al-Assad.

A Rússia, aliada de Damasco, impôs no sábado, junto com a China, um veto a uma resolução do Conselho de Segurança condenando a violência, alegando ter “a intenção de fazer todo o possível para conseguir uma estabilização rápida” da situação na Síria.

Moscou confirmou uma visita a Damasco, na terça-feira, de seu ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, para pedir a colocação em prática, de forma rápida, das “reformas democráticas indispensáveis”.

Para o Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne a maioria das correntes de oposição, o duplo veto dá ao regime “licença para matar”.

A Organização da Cooperação Islâmica (OCI), que possui 57 membros, entre eles a Síria, lamentou os vetos dos quais pode surgir o risco de guerra civil.

No terreno, 56 pessoas morreram neste domingo, vítimas da violência, a metade delas constituída por civis, anunciou o Observatório sírios dos Direitos Humanos (OSDH), em comunicado.

Vinte e oito civis faleceram: 23 na região de Homs (centro), dois em Daraya (subúrbio de Damasco) e três na região de Idleb (noroeste). Ao mesmo tempo, 28 soldados do exército regular morreram: 14 na região de Idleb, 7 em Houla (região de Homs), 3 em Zabadani (perto de Damasco) e 4 em Deraa (sul), segundo o OSDH, com sede em Londres.

De acordo com a informação, cinco crianças estão entre as vítimas.

Entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado foi registrado um bombardeio de violência inédita, contra a cidade rebelde de Homs (centro), que fez mais de 230 mortos, segundo o OSDH.

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O regime desmentiu ter bombardeado Homs e acusou a oposição de ter incitado este “ataque terrorista” para influenciar o voto na ONU.

Apesar do massacre, que foi motivo de protesto nas capitais ocidentais e árabes, a Rússia e a China vetaram o projeto de resolução.

O texto, aprovado por 13 outros membros do Conselho de Segurança, condenava as “violações flagrantes” dos direitos humanos pelo regime sírio, apelando a uma transição democrática, seguindo o plano aprovado pela Liga Árabe no dia 22 de janeiro.

Foi a segunda vez que Moscou e Pequim impediram o Conselho de Segurança de sair de cerca de 11 meses de silêncio sobre a Síria, durante os quais a repressão fez pelo menos 6.000 mortos, segundo os militantes. Em outubro, os dois países já tinham bloqueado um projeto de resolução anterior.

O novo veto, destinado a permitir “a busca de uma solução pacífica para a crise síria (…), poupa também o povo de novos confrontos e vítimas”, afirmou a agência oficial chinesa Nova China.

Mas o argumento não convenceu e os dois países atraíram vivas críticas das potências ocidentais, dos países árabes e da oposição síria.

Os braços jordaniano e sírio da Irmandade Muçulmana, por exemplo, pediu o boicote a produtos russos e chineses.

O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, anunciou que sua organização daria prosseguimento aos seus esforços junto ao regime sírio e à oposição para pôr fim às violências na Síria e evitar uma intervenção militar estrangeira.

O veto sino-russo “não impede um apoio internacional claro às decisões da Liga”, insistiu Arabi em um comunicado.

Muitos sírios protestaram em frente às suas embaixadas ao redor do mundo durante o final de semana, particularmente em Cairo, Kuwait, Atenas, Berlim, Londres e Canberra. Outros demonstraram sua ira diante das embaixadas na Rússia, em Trípoli e Beirute.

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