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Seul expressa ‘grande preocupação’ por execução de tio de Kim Jong-un

Coreia do Sul convocou reunião emergencial e afirma que está pronta para 'todas as possibilidades'

Por Da Redação 13 dez 2013, 06h57

O governo da Coreia do Sul expressou nesta sexta-feira sua ‘grande preocupação’ após a confirmação da execução de Jang Song-thaek, tio do do ditador Kim Jong-un e ex-número dois na hierarquia de poder da Coreia do Norte. “Acompanhamos com atenção e grande preocupação o que ocorre na Coreia do Norte após a execução de Jang”, disse em entrevista coletiva uma porta-voz do Ministério da Unificação de Seul.

A porta-voz garantiu que o governo sul-coreano está “preparado para todas as possibilidades”, em uma aparente referência à possível instabilidade que poderia provocar no regime a pena de morte daquele que era um de seus maiores bastiões e o expurgo de seus seguidores. Seul afirmou ainda que fará consultas a seus aliados, principalmente os EUA, e a países que têm relação com assuntos da Coreia do Norte, em uma possível referência à China.

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Tais decisões foram tomadas durante a reunião de emergência de políticas de segurança convocada pelo governo sul-coreano pouco depois que a imprensa estatal da Coreia do Norte divulgou a execução de Jang. A agência estatal do regime comunista, KCNA, revelou nesta quinta-feira que Jang Song-thaek foi condenado à morte por um tribunal militar e posteriormente executado sob diversas acusações, sendo a maior delas a de tramar um golpe de estado no país. Jang foi descrito pela TV estatal como “escória humana desprezível, pior do que um cão, autor de atos de três vezes amaldiçoados de traição da confiança tão profunda e do amor paternal mostrado pelo partido pelo líder”.

Segundo Frida Ghitis, especialista em política asiática ouvida pela rede americana CNN, “a morte de Jang pode vir a consolidar políticas mais duras” do regime norte-coreano. “Altos funcionários, preocupados em parecer fracos ou desleais perante Kim Jong-un, ficarão mais relutantes para sugerir reformas que poderiam afrouxar o aperto do regime”, disse.

A agência estatal norte-coreana também garantiu que o regime eliminou os seguidores políticos do tio de Kim Jong-un, que foram classificados como “traidores”. Jang era casado com Kim Kyong-hui, a irmã do ex-ditador Kim Jong-il, pai do atual mandatário norte-coreano. Os especialistas consideravam Jang como um dos mentores de Kim Jong-un, a quem ajudou a se consolidar no poder, além de um promotor das tímidas reformas econômicas que a Coreia do Norte mostrou recentemente.

A fúria do ditador da Coreia do Norte contra seu tio não se limita à retirada dele do poder e à execução. À moda stalinista, Jang começou a desaparecer dos registros do Estado comunista (confira fotos abaixo). Imagens divulgadas nesta pelo Ministério da Unificação da Coreia do Sul mostram que Jang teve sua figura apagada – e de maneira pouco sutil – de O Grande Camarada, um filme-exaltação em homenagem ao ditador do país. Além das imagens deletadas, todas as menções a ele – exceto aquelas que falam das condenações – estão desaparecendo do site da KCNA.

(Com agência EFE)

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