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Sessions se afasta de investigação sobre ciberataques russos

O procurador-geral dos Estados Unidos ocultou dois encontros com o embaixador russo, Sergey I. Kislyak, durante a corrida eleitoral

Por Da redação - 3 mar 2017, 09h41

O procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, anunciou que irá se afastar das investigações relacionadas à interferência russa na eleição americana de 2016, em entrevista coletiva na quinta-feira. O ex-senador se reuniu com o embaixador russo, Sergey I. Kislyak, em duas oportunidades durante a campanha de Donald Trump, mas não revelou os encontros ao Senado americano.

Sessions anunciou sua decisão após consultar oficiais de alto escalão do Departamento de Justiça, chefiado por ele, apesar do apoio de Trump para que continuasse próximo ao caso. “Eu não devo estar envolvido em investigar uma campanha na qual tive um papel”, afirmou o procurador-geral.

As reuniões entre Sessions e Kislyak foram revelados pelo jornal Washington Post, na quarta-feira, e levaram à rápida reação do Partido Democrata. Adversários da atual administração fazem pressão para que o procurador-geral renuncie, por ter “mentido sob juramento” ao ocultar os encontros durante sabatina no Senado. Alguns republicanos também criticaram a atitude de Sessions, porém, recomendaram apenas que ficasse afastado do caso dos ciberataques.

Na coletiva da quinta-feira, Sessions insistiu que não enganou os senadores durante sua audiência de confirmação, mas admitiu que poderia ter sido mais claro em seus relatos. “Em retrospecto, eu deveria ter parado e dito: ‘encontrei um oficial russo algumas vezes e ele seria o embaixador”, comentou.

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O encontro mais “substancial” de Sessions com Kislyak aconteceu em 8 de setembro e não envolveu qualquer assunto relacionado à campanha de Trump, afirmou o procurador-geral. Segundo Sessions, se tratou apenas de mais uma reunião iniciada por enviados internacionais, que procuram senadores para “divulgar a agenda de seus governos”. Na época, enquanto senador, Sessions era membro do Comitê de Serviços Armados no Congresso, além de um dos principais assessores do magnata em relação à política externa.

Em comunicado, Trump defendeu abertamente Sessions e acusou democratas de incentivarem uma “caça às bruxas” contra seu secretário de Justiça. “Ele poderia ter expressado sua reposta com mais precisão, mas claramente não foi intencional”, afirmou o presidente.

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