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Senado dos EUA quer acesso a relatório interno da CIA

Documento confidencial seria a confirmação de conclusões do Senado sobre uso de tortura em interrogatórios da agência de inteligência

O Comitê de Inteligência do Senado dos Estados Unidos pediu à Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) acesso a um estudo interno feito pela agência sobre seu programa de interrogatórios, informa a edição desta quarta-feira do New York Times. Os senadores acreditam que o documento traga mais detalhes sobre o criticado programa da CIA, implantado após os atentados de 11 de setembro de 2001.

O senador democrata Mark Udall revelou a existência do relatório interno da CIA durante uma audiência do Comitê de Inteligência na terça-feira. Ele disse acreditar que o estudo “é consistente com um documento produzido pelo Comitê de Inteligência do Senado”.

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O documento do Senado, de mais de 6.000 páginas, foi concluído em dezembro passado, mas ainda está classificado como confidencial e, portanto, com acesso limitado. Segundo o jornal, pessoas que leram o estudo o descrevem como “implacável em suas críticas ao programa de interrogatórios” e afirmam que o documento relata como funcionários da CIA repetidamente enganaram a Casa Branca, o Congresso e o público sobre os métodos brutais de tortura que, no final, produziam pouco para a inteligência.

Dean Boyd, porta-voz da agência, disse que a CIA estava “ciente do pedido do comitê e irá responder de forma adequada”. Boyd disse ainda que a CIA concordou com uma série de conclusões do relatório de investigação do Senado, mas encontrou “erros significativos no estudo”.

A senadora democrata Dianne Feinstein, presidente do Comitê de Inteligência, disse recentemente que “em breve” o relatório do Senado iria passar pelo processo formal de desclassificação de confidencialidade antes de ser divulgado ao público. Membros republicanos do comitê alegam que a investigação é tendenciosa e de má qualidade e estão planejando fazer uma refutação pública do documento.

O relatório do Senado, que levou anos para ser concluído e custou mais de 40 milhões de dólares para ser produzido, começou como uma tentativa de documentar o que foi talvez a mais criticada das respostas do governo George W. Bush aos ataques de 11 de setembro. Mas depois, sob a administração Obama, ele se aprofundou e alongou seu trabalho por mais tempo que o planejado.

O presidente Obama encerrou o programa de interrogatórios da CIA em um dos seus primeiros atos no Salão Oval, no início de 2009. Durante um discurso em maio deste ano, Obama voltou a criticar a CIA e disse que seus métodos tinham “comprometido os nossos valores básicos usando a tortura para interrogar os nossos inimigos e detendo indivíduos de uma forma que vai contra o Estado de Direito”.