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Sem bravata, Obama consegue o que Bush não conseguiu. E alguém será capaz de impedir sua reeleição em 2012?

Presidente saboreia grande vitória com a morte de Osama bin Laden. Falta um desfecho para o Afeganistão. Hoje, porém, ele parece um candidato imbatível

É inegável que a chance de aparecer ao vivo na televisão para anunciar que o país enfim conseguiu eliminar seu inimigo número um vai fortalecer a imagem do presidente

Na noite de 4 de novembro de 2008, uma multidão reunida diante da Casa Branca, em Washington, usou uma versão adaptada do slogan de campanha de Barack Obama para comemorar a eleição do primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos: ao invés de “Yes, we can”, o público gritava “Yes, we did!” O mesmo grito foi repetido na noite deste domingo, quando surgiu a notícia de que tropas americanas tinham conseguido matar Osama bin Laden. E a comemoração na porta da residência oficial do presidente americano pode ser vista como sintoma do que vem por aí: a pouco mais de um ano de sua tentativa de reeleição, o democrata, que já oficializou sua candidatura, desponta como imbatível nas urnas.

Obama ainda amarga problemas graves na guerra do Afeganistão – que, quase dez anos depois, segue consumindo recursos e ainda distante de uma conclusão. Mas é inegável que a chance de aparecer ao vivo na televisão para anunciar que o país enfim conseguiu eliminar seu inimigo número um vai fortalecer a imagem do presidente, dando uma injeção adicional de popularidade num político que já parecia não ter adversários à altura para 2012. O cenário entre os republicanos é tão incerto e preocupante que a grande aposta do partido nas últimas semanas parecia recair sobre uma candidatura exótica – a do magnata e apresentador de TV Donald Trump, que nunca escondeu de ninguém que sonha com a Casa Branca.

Se Trump quer conseguir “demitir” Obama, porém, terá de contar com grandes reviravoltas nos dezoito meses que faltam para a votação. Com a economia em recuperação – ainda que lenta – e a retirada gradual das tropas do Iraque, Obama se posiciona na disputa como um presidente bem sucedido, apesar das numerosas turbulências enfrentadas pelo democrata desde a posse. Acusado de não ser “durão” o bastante para comandar os EUA num momento de tamanha insegurança, Obama agora pode dizer que conseguiu fazer o que George W. Bush não conseguiu. Se o antecessor prometeu pegar Osama bin Laden “vivo ou morto”, Obama dispensou as bravatas e comandou em silêncio. Agora, colhe os frutos do triunfo.