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OMS afirma que 500 sírios tiveram sintomas de exposição a arma química

Organização exigiu acesso imediato à região de Duma, onde um suposto ataque químico matou mais de 40 pessoas no sábado

Por Reuters Atualizado em 11 abr 2018, 14h15 - Publicado em 11 abr 2018, 13h17

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta quarta-feira que cerca de 500 pessoas foram tratadas por “sinais e sintomas condizentes com a exposição a produtos químicos tóxicos” depois de um possível ataque com gás venenoso em um bastião rebelde da Síria. A organização repudiou o incidente.

“Havia sinais em particular de irritação grave das membranas mucosas, dificuldades respiratórias e perturbação do sistema nervoso central”, disse a agência de saúde da Organização das Nações Unidas (ONU) em um comunicado emitido em Genebra.

O comunicado alertou que a OMS não tem nenhum papel formal nas investigações forenses sobre o uso de armas químicas. Inspetores internacionais de armas químicas estão buscando garantias de passagem livre para Duma da parte de Damasco para determinar se munições proibidas em todo o mundo foram usadas, mas não atribuirá culpa.

A OMS também disse haver relatos de que mais de 70 pessoas que se abrigavam de bombardeios em porões no antigo bolsão rebelde de Ghuta Oriental, onde Duma se localiza, morreram.

  • Segundo a entidade, 43 destas mortes foram “relacionadas a sintomas condizentes com a exposição a produtos químicos altamente tóxicos“, citando relatos de seus parceiros de saúde locais.

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    “Todos nós deveríamos estar revoltados com estes relatos e imagens horríveis de Duma”, disse Peter Salama, vice-diretor-geral de prontidão e reação a emergências da OMS. “A OMS exige acesso imediato e desimpedido à área para levar ajuda aos afetados, para acessar os impactos de saúde e para proporcionar uma assistência de saúde pública abrangente”, afirmou.

    As agências de assistência da ONU não têm acesso à maior parte de Ghuta Oriental, de onde os insurgentes estão se retirando em respeito a um acordo com o governo sírio que restaurou o controle estatal sobre a região.

    A OMS disse ter treinado mais de 800 agentes de saúde sírios para reconhecer sintomas e tratar pacientes expostos a armas químicas e ter distribuído antídotos contra agentes nervosos.

    Acusações

    O ataque químico de sábado provocou um acirramento das tensões entre as forças do governo de Bashar al-Assad e da Rússia com potências ocidentais. Os Estados Unidos acusam ambos os países e o Irã de serem os responsáveis pelos ataques e prometeram uma resposta. A Rússia, por outro lado, diz não ter encontrado indícios de uso deste tipo de armamento em Duma e pediu à Opaq (Organização para a Proibição de Armas Químicas) para realizar uma investigação independente.

    Na terça-feira, a Rússia vetou uma proposta de resolução do Conselho de Segurança da ONU para criar um novo inquérito investigando responsabilidades por ataques com armas químicas na Síria.

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