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Rússia culpa Ucrânia por agravar crise alimentar global

Chanceler disse que Rússia não está obstruindo a passagem de navios e ônus do problema dos embarques de grãos era da Ucrânia

Por Da Redação Atualizado em 8 jun 2022, 09h58 - Publicado em 8 jun 2022, 09h45

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, disse nesta quarta-feira, 8, que um plano das Nações Unidas para reiniciar as exportações de grãos ucranianos ao longo de um corredor marítimo é “razoável” e requer mais conversas com Moscou e Kiev para garantir a segurança dos navios. Mas Moscou ainda acha que não tem nenhuma responsabilidade nisso.

Falando ao lado do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, Cavusoglu disse que sua reunião em Ancara foi frutífera. No entanto, Lavrov disse que o ônus para resolver o problema dos embarques de grãos era da Ucrânia, que também deveria ser responsável pela desminagem de seus portos do Mar Negro. Segundo ele, a Rússia já havia assumido os compromissos necessários.

O chanceler russo também procurou minimizar a crise global de alimentos, dizendo que era um exagero ocidental.

“A situação atual não tem nada a ver com a crise alimentar”, disse Lavrov em entrevista coletiva em Ancara, a capital turca. “A Federação Russa não está criando obstáculos para a passagem de navios e embarcações.”

Ele colocou toda a culpa na Ucrânia, dizendo que os embarques foram paralisados pelas minas navais e porque o país se recusou a usar os corredores humanitários oferecidos pela Rússia no Mar Negro. Apesar dos laços com o governo russo, o chanceler Cavusoglu discordou de Lavrov, dizendo que havia, sim, um problema global – e que envolvia tanto a Ucrânia quanto a Rússia.

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“A crise alimentar no mundo é uma crise real”, disse Cavusoglu, observando que os países em guerra fornecem juntos cerca de um terço dos grãos do mundo.

A Rússia e a Ucrânia culpam uma a outra pela falta de exportações. Os dois países normalmente fornecem cerca de 40% do trigo na África, onde os preços do grão subiram 23% no ano passado, segundo as Nações Unidas. Na última sexta-feira, o chefe da União Africana, o presidente Macky Sall do Senegal, reuniu-se na Rússia com o presidente Vladimir Putin para tentar garantir o fornecimento de grãos.

Não está claro que as minas sejam todas ucranianas, e Kiev teme que a Rússia possa usar seus portos para despachar uma frota de invasão – navios de guerra russos também patrulham as rotas marítimas do Mar Negro.

Tanto Putin como Lavrov prometeram que este não seria o caso. Mas, como o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, bem lembrou na terça-feira 7, Putin também havia dito no início do ano que não invadiria a Ucrânia. “Não podemos confiar em Putin, suas palavras são vazias”, escreveu Kuleba no Twitter.

O turco Cavusoglu sugeriu que as Nações Unidas e a comunidade internacional fornecessem garantias de segurança para ambos os lados para realizar os embarques. Mas assim como na crise dos grãos, não há indicação de que as negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, realizadas pela última vez na Turquia no final de março, serão retomadas.

Segundo imagens de satélite obtidas pelo governo dos Estados Unidos, a Rússia saqueou os estoques de trigo ucranianos e roubou até 500.000 toneladas de trigo, no valor de US$ 100 milhões, desde que seus militares invadiram a Ucrânia em fevereiro.

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