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Rússia, Cuba, Equador e Venezuela vão conversar sobre Snowden

Ex-técnico da CIA continua em zona de trânsito de aeroporto em Moscou

Diplomatas de Rússia, Cuba, Venezuela e Equador vão se reunir na segunda-feira para discutir a situação do ex-técnico da CIA Edward Snowden, que pediu asilo político para Quito, informou nesta sexta-feira a Câmara Cívica russa. Um porta-voz desse órgão consultivo adjunto ao Kremlin disse que o objetivo da mesa-redonda é avaliar consequências da eventual concessão de asilo ao fugitivo. A grande ironia é que, oficialmente, os quatro países – velhos conhecidos pelo desrespeito aos direitos humanos e à liberdade de expressão – dizem querer garantir a segurança de Snowden por questões humanitárias.

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Snowden admitiu ter sido o responsável, no início deste mês, pelo vazamento de informações sobre programas secretos de vigilância da administração de Barack Obama. As revelações feitas pelo técnico, que também prestou serviços para a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), mostraram que o governo americano mantém ou tem a capacidade de manter cada cidadão do mundo sob constante vigilância. O caso aumentou a desconfiança em relação à administração democrata, que já vinha sendo atingida por denúncias de perseguição à imprensa e a grupos conservadores.

Nesta sexta-feira, o fugitivo acusado de espionagem pelos Estados Unidos completou seu quinto dia em Moscou, em um terminal de trânsito no aeroporto de Sheremetyevo. Ainda não se sabe se Snowden poderá se refugiar no Equador, país que já dá refúgio ao fundador do site de vazamentos WikiLeaks, Julian Assange – que, por sua vez, está ajudando Snowden em sua fuga da Justiça americana.

O governo equatoriano disse na quinta-feira que “não aceita pressões e nem ameaças de ninguém”, embora afirme que a decisão sobre o asilo de Snowden segue pendente. Em qualquer caso, o Equador, país cujo governo tem se notabilizado pelo cerco à imprensa e ao Judiciário, entre outras medidas autoritárias, não é a única porta que pode se abrir perante Snowden: na quinta, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse que possivelmente daria asilo a Snowden se fosse solicitado. “Snowden deveria receber uma medida humanitária mundial pela informação que ele divulgou. O que aconteceria se o mundo inteiro soubesse que a Venezuela faz espionagem? Certamente, convocariam o Conselho de Segurança da ONU”, afirmou.

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A mensagem de Maduro, que chegará a Moscou na próxima segunda-feira para participar do Fórum de Países Exportadores de Gás, foi entendida pelos especialistas como um convite para que o ex-analista dos serviços secretos peça refúgio a Caracas. O presidente venezuelano poderá inclusive se encontrar com o fugitivo em Moscou se este seguir na zona de passagem de aeroporto.

Escândalo – Snowden deixou o Havaí em 20 de maio e viajou a Hong Kong, onde vazou à imprensa informações confidenciais sobre a existência do programa de espionagem Prism. A rede oficial de bisbilhotagem permite ao governo americano vasculhar gravações telefônicas e de internet, além do tráfego em redes sociais, de milhões de americanos. A revelação se transformou no mais novo escândalo da gestão Obama e deixou estarrecidos os defensores das liberdades civis.

(Com agência EFE)