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Roma: promotoria investiga carta de Berlusconi a eleitores

Denúncia afirma que correspondência poderia configurar compra de votos

A Promotoria de Roma abriu uma investigação sobre a carta enviada a milhões de eleitores italianos pelo ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi nesta semana, em que ele fala sobre a restituição do imposto pago sobre o imóvel em 2012, uma de suas principais promessas de campanha. O inquérito teve início após denúncias feitas pelo candidato Gianfranco Mascia, do partido Revolução Civil às eleições regionais de Lácio.

Na denúncia, Mascia alega que a coalizão de centro-direita liderada por Berlusconi teria violado a Lei Eleitoral ao articular uma espécie de compra de voto às vésperas das eleições parlamentares que serão realizadas neste domingo e na segunda-feira. O envio das cartas foi alvo de críticas também porque foi usado o mesmo formato das correspondências enviadas pelo ministério da Fazenda – o que poderia provocar confusão entre os cidadãos. Os rivais eleitorais de Berlusconi o qualificaram de “golpista”. Fontes judiciais informaram que, por enquanto, a investigação não inclui a hipótese de delito e também não traz uma pessoa específica como investigada.

A devolução do imposto pago sobre os imóveis (IMU), que foi reintroduzido pelo tecnocrata Mario Monti, é uma das grandes apostas de Berlusconi, que baseou sua campanha no ataque às políticas de austeridade impostas pela União Europeia. O ex-premiê também promete abolir o imposto e diminuir a pressão fiscal sobre os cidadãos. O governo tecnocrata de Monti assumiu após a renúncia de Berlusconi, em novembro de 2011, em meio à crise econômica e a uma série de escândalos sexuais.

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Campanha – Segundo Berlusconi, a devolução do IMU de 2012 (cerca de 4 bilhões de euros) e o valor que poderia ser arrecadado com ele nos próximos anos podem ser compensados por um novo acordo com o governo suíço para a possível criação de um imposto sobre as atividades financeiras de cidadãos italianos no país. No entanto, a proposta de Berlusconi perdeu força nesta sexta-feira, último dia da campanha eleitoral, após as declarações feitas pela ministra de Finanças da Suíça, Eveline Widmer-Schlumpf, que pôs em dúvida que tal acordo, se confirmado, possa entrar em vigor antes de 2015.

Segundo a edição desta sexta-feira do jornal Corriere della Sera Berlusconi perdeu a segunda posição nas pesquisas de intenções de voto devido ao avanço do humorista Beppe Grilo – embora essas pesquisas sejam oficialmente proibidas na Itália nos 15 dias anteriores à votação. O ex-premiê tinha previsto fechar sua campanha de modo oficial com um comício em Nápoles, no sul do país. Mas, poucas horas antes de o ato começar, fontes de seu partido, o Povo da Liberdade (PdL), informaram que Berlusconi não poderia participar do evento por causa de uma “forte conjuntivite”.

(Com agência EFE)