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Retomadas as buscas no Costa Concordia, famílias entre a ansiedade e a raiva

Por Por Ella IDE - 19 jan 2012, 13h16

As buscas pelos desaparecidos no naufrágio do Costa Concordia foram retomadas nesta quinta-feira, enquanto os familiares esperam com ansiedade os resultados das operações e nutrem uma grande raiva contra o comandante do navio, que se encontra em prisão domiciliar.

“Ele está na casa dele agora, pois vive na Itália. Em outro país, estaria na prisão e não tomando café com a mãe”, declarou indignado à AFP Kevin Rebello, irmão de um tripulante de nacionalidade indiana, ainda desaparecido.

“Comandar um navio de cruzeiro não é a Disneylândia, ele brincou com a vida de pessoas. Eu estou com muita raiva”, declarou Kevin Rebello, que veio de Milão – onde trabalha – para encontrar seu irmão Russel, casado e pai de uma menina de três anos e meio.

Outras famílias, refugiadas no hotel Orbetello (Toscana), temem pelo pior e recebem o apoio de psicólogos. Alguns familiares, que conseguiram escapar da catástrofe, deverão superar o trauma e o sentimento de culpa por terem sobrevivido.

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Dos 11 mortos confirmados, oito foram formalmente identificados.

Os corpos de dois franceses, Pierre Grégoire, 69 anos, e sua irmã de 70 anos, Jeanne Gannard, foram identificados nesta quinta-feira pela família, anunciou autoridades da cidade de Gosseto, na Toscana.

“Continuamos sem novidades sobre os dois outros franceses”, indicou à Paris o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Bernard Valero.

Os familiares de um casal de franceses ainda desaparecido, Mylène Litzler, 23 anos, e Mickaël Blemand, 25 anos, fizeram um apelo no Facebook.

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“Procuramos recolher o máximo de testemunhos de passageiros que os viram no momento do naufrágio, ou até na semana que precedeu o acidente, para saber onde eles estão e o que pode ter acontecido”, explicou à l’AFP André Litzler, tio de Mylène.

Após a interrupção das buscas durante quase todo o dia, o trabalho foi retomado hoje.

A tarefa é difícil pois partes do navio estão bloqueadas por portas trancadas, pilhas de móveis e carpete.

O bombeamento do combustível do navio (2.380 toneladas) ainda não foi iniciado, apesar dos riscos de maré negra na ilha, uma reserva natural de grande valor ecológico.

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Esta operação, que pode durar algumas semanas, é muito complicada, por ser necessário o aquecimento do petróleo para torná-lo fluido.

Os reservatórios do Costa Concordia estavam praticamente cheios quando aconteceu o naufrágio.

Já a companhia italiana, Costa Cruzeiros, proprietária do Costa Concordia, anunciou na manhã desta quinta-feira ter entrado em contato com “todos os passageiros ara assegurar que todos chegaram a suas casas e passavam bem”.

“A empresa confirma o reembolso das passagens e de todas as despesas materiais”, assegurou em um comunicado.

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Mais de 70 passageiros do Costa Concordia já aderiram a uma ação coletiva contra a companhia lançada pela associação italiana de defesa dos consumidores, com o objetivo de obter uma indenização para cada passageiro de pelo menos 10 mil euros.

Processos judiciais contra a empresa também foram anunciados na França.

A companhia, por sua vez, também afirma ter sido lesada e disse que se apresentará como vítima em um eventual julgamento “porque, além da tragédia e do drama humanos, a empresa sofreu um prejuízo imenso”, afirmou um de seus advogados.

Em declarações à imprensa, o advogado Marco De Luca, condenou o comportamento do comandante do cruzeiro, Francesco Schettino, acusado de ter desviado sem autorização a embarcação de sua rota causando o naufrágio, que provocou a morte de onze pessoas e mais de vinte desaparecidos.

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O advogado disse ainda que a companhia não assumirá a defesa do comandante, que foi suspenso de seu cargo.

“A companhia é outra vítima nesta tragédia”, acrescentou o advogado, que anunciou que a emprsa colaborará coma justiça italiana.

Segundo novos testemunhos, muitos passageiros na hora da evacuação ficaram sem coletes salva-vidas e correram risco de morte ao tentaram procurar coletes em suas cabines.

Além disso, muitos botes sobrecarregados só puderam ser manobrados com a ajuda de serventes e cozinheiros – “anjos filipinos” apelidaram alguns sobreviventes – que se transformaram em marinheiros improvisados.

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