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Resgate dos mineiros pode ser antecipado para 18 horas

A cada hora, um homem será içado por uma gaiola em direção à superfície

Por Manuela Franceschini, de Copiapó, no Chile - 12 out 2010, 14h34

‘Esperamos terminar o dia com pelo menos um mineiro na superfície’, diz ministro de Minas

O resgate dos 33 operários presos na mina de San Jose foi antecipado mais uma vez. Inicialmente previsto para começar à 0 hora desta quarta-feira, o processo, que já havia sido adiantado para as 20 horas desta terça, agora pode ser iniciado duas horas antes: a partir das 18 horas.

“Esperamos terminar o dia com pelo menos um mineiro na superfície, estamos trabalhando com determinação para que isso aconteça”, disse o ministro de Minas do Chile, Laurance Golbourne, que reconheceu os riscos da operação: “Todo processo tem seus riscos, acidentes podem acontecer, podemos ter erros. Consideramos todos os contratempos que podem nos afetar, tomamos cuidado e esperamos que nada de errado aconteça. Estamos muito bem preparados, vamos ver o que acontece.”

Assim que o presidente Sebastián Piñera chegar à mina San José, o trabalho de resgate deve começar e avançará noite adentro, podendo durar até 48 horas. Evo Morales, presidente da Bolívia, irá ao local para receber o único boliviano do grupo, Carlos Mamani. A cada hora, um mineiro sairá içado por uma gaiola, chamada de Fênix, que percorre um metro por segundo, podendo chegar a até três metros. Três socorristas descerão ao fundo da mina para monitorar os mineiros e tratar qualquer contratempo – de uma dor de cabeça a problemas cardíacos.

“Cada vez que um mineiro romper a superfície, a mina estará em trabalho de parto e dará à luz um deles. Na saída do túnel, uma sirene irá tocar por um minuto”, informou o ministro da saúde, Jaime Mañalich. O primeiro mineiro começará a subir e, a partir desse momento, as estradas com destino à cidade de Copiapó ficarão fechadas para que ambulâncias possam ter livre passagem, no caso do helicóptero não conseguir decolar. No hospital, eles farão exames médicos e ficarão sob observação.

As famílias já preparam grandes comemorações, enquanto as mulheres procuram se embelezar para reencontrar os maridos. O site de VEJA esteve na casa de Ariel Ticona, onde uma reunião com vizinhos e familiares decidia os detalhes da festa marcada para sábado. Cerca de 300 pessoas irão festejar a libertação do mineiro, que finalmente conhecerá sua filha, que nasceu há um mês – quando ele já estava soterrado – e foi batizada de Esperanza. “Estou muito, muito nervosa”, dizia Elizabeth Segovia, mulher de Ticona, andando de um lado para o outro com a menina no colo. Na sala, uma imagem de Nossa Senhora com uma vela acesa pedia proteção e agradecia por, finalmente, a tragédia dos 33 mineiros de San Jose estar perto do fim.

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