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Reis e rainhas na avenida: o desfile de faraós no Cairo

As múmias foram transportadas do antigo Museu Egípcio para sua nova morada: o mais moderno Museu Nacional da Civilização Egípcia

Por Sergio Figueiredo Atualizado em 8 abr 2021, 13h37 - Publicado em 9 abr 2021, 06h00

Uma procissão inusitada atravessou as ruas da cidade do Cairo, capital do Egito, na noite de sábado 3. Por aproximadamente 7 quilômetros, sob forte segurança, com muito brilho e iluminação — e ao som de música apropriada para a ocasião, executada ao vivo por uma orquestra filarmônica —, 22 múmias de faraós, sendo dezoito reis e quatro rainhas, foram transportadas do antigo Museu Egípcio para sua nova morada: o mais moderno Museu Nacional da Civilização Egípcia, parcialmente inaugurado em 2017. Os curadores alegam que, devido ao volume de descobertas dos últimos anos, tanto de múmias quanto de artefatos, se tornara impossível administrar o acervo no centenário museu, aberto em 1902. Cada múmia percorreu o trajeto em um carro separado, dentro de uma cápsula preenchida com nitrogênio para garantir sua preservação. Ainda que não fosse possível ao público ver a nobre linhagem em seu estado natural, os sarcófagos nos quais as múmias foram acondicionadas podiam ser contemplados ao longo do desfile, pois cada invólucro se apoiou sobre um carro que trazia a inscrição com o nome do respectivo rei ou rainha. Os organizadores da Parada Dourada dos Faraós tiveram o cuidado de fazer com que o desfile respeitasse a hierarquia por idade, começando pelo faraó mais antigo, Tao II, que viveu há cerca de 3 500 anos, até o mais recente, Ramsés IX, que reinou cerca de 3 100 anos atrás. Todas as múmias foram encontradas em dois sítios arqueológicos distintos no fim do século XIX.

Publicado em VEJA de 14 de abril de 2021, edição nº 2733

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