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Regime líbio rejeita as condições propostas por opositores

Pela primeira vez, os rebeldes se abriram para possibilidade de um cessar-fogo

Por Da Redação - 1 abr 2011, 18h49

O regime do coronel Muamar Kadafi rejeitou nesta sexta-feira as condições de cessar-fogo propostas pelos rebeldes, anunciou um porta-voz do governo, em Trípoli. O ditador não aceita retirar-se das cidades controladas pelas forças opositoras, que, pela primeira vez desde o início da revolta na Líbia, no dia 17 de fevereiro, se abriram para a possibilidade de um cessar-fogo com condições, justo quando a situação na frente de batalha parece enraizada.

“Os rebeldes jamais ofereceram paz. Eles fazem pedidos impossíveis”, declarou Moussa Ibrahim, considerando a proposta insurgente de “uma armadilha”. “Não deixaremos nossas cidades. Somos nós o governo, não eles”, insistiu, afirmando, no entanto, que o regime estava sempre pronto para a paz e o diálogo. Segundo ele, as forças leais a Kadafi respeitam a resolução imposta pela ONU.

“Há cerca de uma semana, os rebeldes avançaram de Bengasi até as portas de Sirte por quase 600 quilômetros sob a cobertura aérea da coalizão. Enquanto isso, se nosso Exército seguir por um quilômetro, denunciam o fato como um desastre e um crime”, lamentou Ibrahim.

Cessar-fogo – Mais cedo, em entrevista coletiva em um hotel em Bengasi, o presidente do Conselho Nacional Transitório (CNT), Mustafa Abdel Jalil, anunciou que os rebeldes estavam dispostos a realizar um cessar-fogo quando as forças de Kadafi levantassem o cerco de algumas cidades. “As tropas de Kadafi devem abandonar suas posições ao redor das cidades e o cerco deve ser levantado”, afirmou Abdel Jalil, antigo ministro da Justiça de Kadafi, em um raro comparecimento perante os meios de comunicação.

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Abdel Jalil fez este anúncio acompanhado pelo enviado especial da ONU, o diplomata jordaniano Abdelilah al Jatib, que nesta sexta-feira visitou Bengasi, após viajar na quinta-feira a Trípoli e se reunir com o primeiro-ministro líbio, Mahmudi Baghdadi. O dirigente dos revolucionários considerou, além disso, que para que se cumpra esse cessar-fogo o regime de Kadafi “deve permitir liberdade ao povo para que expresse seus pontos de vista”. “Não pode haver um cessar-fogo enquanto houver mercenários e soldados nos telhados”, ressaltou Abdel Jalil. Também advertiu que, caso não sejam cumpridas as condições, “o povo do centro e do oeste do país deve saber que a revolução irá na direção deles”.

Precisamente, o cessar-fogo foi um dos temas da conversa que o emissário da ONU manteve entre quinta e sexta-feira com as autoridades do regime de Kadafi e com os rebeldes. Durante as discussões com ambas as partes, “reiterei os elementos básicos da resolução 1973” do Conselho de Segurança da ONU, apontou Al Jatib, que destacou que “cada parte disse que cumprirá o cessar-fogo se a outra também cumprir”. O regime de Kadafi declarou o cessar-fogo em várias ocasiões desde o começo do conflito, mas sempre o descumpriu.

Outros assuntos analisados pelo enviado do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, foram a proteção dos civis e das agências humanitárias para que possam acessar todas as áreas do país para cumprir sua missão e que sejam cumpridas “as legítimas aspirações do povo líbio”. Trata-se da segunda visita de Al Jatib ao leste da Líbia desde o início das revoltas, já que na semana passada viajou para Tobruk, onde se reuniu com os dirigentes rebeldes.

mapa líbia cidades simples
mapa líbia cidades simples VEJA

Confrontos – Durante esta sexta-feira os combates prosseguiram em Brega, a 225 quilômetros ao oeste de Bengasi, entre as tropas de Kadafi e os milicianos rebeldes. O porta-voz militar dos revolucionários, coronel Ahmad Omar Bany, informou nesta manhã que “os enfrentamentos seguiam ao redor de Brega. As tropas de Kadafi se encontravam no oeste da cidade, a cerca de 30 quilômetros”.

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Nos últimos dois dias, os rebeldes mudaram de estratégia para enfrentar os leais ao ditador líbio, já que situaram membros do Exército na primeira linha de batalha, enquanto na segunda linha se encontram as milícias voluntárias. Uma fonte médica disse aos jornalistas que, pelo menos, sete pessoas da mesma família morreram na quarta-feira na aldeia de Al Argub, ao sul de Brega, pelos ataques da artilharia das tropas de Kadafi.

Além disso, a cidade de Misrata, a 200 quilômetros ao leste de Trípoli, foi objeto de intensos ataques por parte das forças pró-governo, que também prosseguiram com seu cerco à localidade de Zintan, no oeste do país e perto da fronteira com a Tunísia. Enquanto isso, a Otan revelou que seus aviões efetuaram, até agora, 178 voos, 74 deles relacionados com ataques a alvos, desde que na quinta-feira assumiu o comando de todas as operações sobre a Líbia.

Economia – No plano econômico, as autoridades rebeldes apontaram nesta sexta-feira que assinaram um acordo com o Catar para exportar petróleo e que têm capacidade para produzir um milhão de barris por semana. O “ministro do Petróleo” do CNT, Ali Tahur, disse em entrevista coletiva em Benghazi que o “Catar acordou embarcar o petróleo e comercializá-lo”.

Tahur assinalou que o petróleo é extraído atualmente dos campos do sudeste e das áreas “liberadas”, e que podem produzir mais de 100.000 barris por dia, por isso o único problema era encontrar uma forma de exportá-lo.

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(Com agências France-Presse e EFE)

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