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Rebeldes lançam ‘batalha da libertação’ em Damasco

Por Da Redação - 17 jul 2012, 16h31

Os rebeldes sírios afirmaram nesta terça-feira o lançamento de uma “batalha pela libertação” de Damasco, onde violentos combates foram registrados com a entrada em ação de dois helicópteros do Exército.

Em Moscou, o emissário internacional Kofi Annan, que tenta ressuscitar o seu plano de paz, afirmou que a violência na Síria, que provocou a morte de mais 35 pessoas, chegou a um “ponto crítico”, após a Cruz Vermelha Internacional ter classificado o conflito armado de “guerra civil”.

O general Manaf Tlass, oficial de maior patente a ter desertado do Exército sírio, anunciou que está em Paris e que deseja uma transição construtiva em seu país, em um comunicado transmitido à AFP. Ele expressa sua “ira e dor por ver o Exército levado a travar um combate contrário a seus princípios”.

“A batalha pela libertação de Damasco começou e os combates não vão parar na capital. Nós vamos para a vitória”, afirmou o coronel Kassem Saadeddine, porta-voz do Exército Sírio Livre (ESL), na Síria, contatado via Skype pela AFP. Os combates coincidem com o 12º aniversário da chegada ao poder de Bashar al-Assad, após a morte de seu pai.

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Já um militar afirmou à AFP que o Exército “controla a situação e persegue os terroristas fugitivos em casas e mesquitas” de Damasco.

Desde domingo, os combates na capital, caracterizados pela oposição de reviravolta da contestação, ocorrem em vários bairros. Helicópteros entraram pela primeira vez em ação nesta terça-feira e metralharam bairros hostis ao regime.

Os combates sacodem o bairro de Midane, próximo do centro da cidade, onde, segundo uma fonte militar, o Exército entrou e cercou a mesquita de Zine al-Abidine. Foi dado um ultimato aos habitantes para deixarem o local antes da invasão iminente. Os soldados também entraram em Tadamoun (sul), onde ainda há “focos de resistência”.

“O regime (de Assad) que está afundando, e ficou louco”, afirma um militante de Midane, identificado como Abou Moussab. “Eles atiram em tudo e acabam de destruir a mesquita Ghazwat Badr”.

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No bairro de Qaboun (leste), “onde está a maioria dos rebeldes”, os “combates continuam”, acrescentou a fonte militar, indicando que “33 terroristas foram mortos, 15 feridos e 145 presos”, fazendo referência aos rebeldes. O regime não reconhece o movimento de contestação.

O porta-voz do ESL afirmou que um helicóptero foi abatido quando sobrevoava este bairro. De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres, Qaboun foi alvo de disparos “que partiram dos helicópteros”, e que mataram três civis.

Ao menos 35 pessoas morreram nesta terça-feira em meio à violência na Síria, segundo o OSDH, sendo 16 civis, incluindo sete na capital, 14 soldados e cinco rebeldes.

Essas informações não puderam ser confirmadas pela AFP.

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O ESL, formado por desertores e civis armados, indicou que havia lançado uma grande operação, atacando “todos os postos de segurança nas cidades e no campo para provocar uma luta feroz (com as forças regulares) e obrigá-los a se render”.

Em Moscou, Annan considerou “inaceitável” a situação neste país, onde, segundo ele, a crise chegou a “um ponto crítico”. Ele se reuniu nesta terça-feira com o presidente russo, Vladimir Putin, que assegurou que a Rússia fará tudo para apoiar os esforços para pôr fim à crise.

A Rússia, principal aliada do regime de Assad, bloqueou todas as resoluções na ONU que condenavam a repressão. Em Nova York, as negociações sobre um novo mandato dos observadores na Síria enfrentam um impasse. Os ocidentais insistem na aprovação de uma resolução que ameace o regime com sanções, enquanto a Rússia rejeita essa possibilidade.

“Eu não vejo por que não podemos chegar a um acordo no Conselho de Segurança. Estamos prontos para isso”, declarou, contudo, o chanceler russo Sergei Lavrov.

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Por sua vez, o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu à Rússia para aumentar a pressão sobre sua aliada durante uma conversa por telefone com o chanceler russo. Ban Ki-moon é esperado em Pequim para conversações com líderes chineses na quarta-feira.

Com a deterioração da situação, o governo iraquiano pediu aos seus cidadãos para deixarem a Síria, destacando a “crescente violência que (eles) são alvo”

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