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Reação da China ao teste norte-coreano será determinante

Tradicional aliado de Pyongyang criticou teste atômico e pediu fim de ameaças

Tradicional aliado de Pyongyang, a China condenou o terceiro teste nuclear empreendido pela Coreia do Norte nesta terça-feira, numa reação que pode ter um papel determinante nos desdobramentos do episódio. O ministro chinês de Relações Exteriores, Yang Jiech, convocou o embaixador norte-coreano para a China para protestar. “A China está fortemente insatisfeita e contrariada com este teste. Pedimos que o país pare com ameaças e ações que podem agravar a situação e reestabeleça o caminho do diálogo o mais rápido possível”, afirmou Jiech.

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A Coreia do Norte se arrisca seriamente ao desrespeitar uma clara orientação do seu único aliado poderoso. No final de janeiro, um editorial do jornal Global Times – controlado pelo Partido Comunista chinês – afirmou que o gigante asiático não hesitaria em cortar sua ajuda a Pyongyang caso o regime de Kim Jong-un seguisse adiante com suas ameaças de um teste atômico.

A frustração da China – membro permanente do Conselho de Segurança da ONU – com seu vizinho comunista só tem aumentado nos últimos meses. Apesar de ser contra a ideia de punições internacionais como forma de coerção – afinal, há um grande número de empresas chinesas envolvidas em operações em Pyongyang -, o país apoiou, em janeiro, no Conselho de Segurança, a ampliação de sanções à Coreia do Norte. A proposta foi apresentada pelos Estados Unidos.

Estratégia – Embora os chineses tenham interesse estratégico em manter a Coreia do Norte como uma espécie de amortecedor contra os Estados Unidos pró-Coreia do Sul, a China não esconde sua irritação com o ditador norte-coreano, Kim Jong Um. Segundo a CNN, Pequim considera que ele se comporta de maneira aventureira, colocando em risco a segurança da região. E o que a China menos quer é uma presença militar americana mais ativa, robusta e antagônica na Ásia, em associação a um reforço da capacidade militar de aliados americanos que não são amigos da China.

No início deste mês, a revista britânica The Economist publicou artigo no qual defendia que a situação na Coreia do Norte oferecia à China uma oportunidade de “demonstrar flexibilidade” sem ameaçar nenhum “interesse vital” do país. A referência ao interesse vital está relacionada a uma declaração do líder do Partido Comunista da China, Xi Jinping, que assumirá a presidência do país no mês que vem. No final de janeiro, em meio a mais uma troca de farpas com o Japão em torno da disputa territorial pelas ilhas Senkaku/Diaoyu, ele disse que o país não aceita barganha sobre o tema. “Nenhum país estrangeiro deve ter esperanças de que nós vamos barganhar nossos interesses vitais, ou engolir um fruto amargo que prejudique nossa soberania, segurança e desenvolvimento”, afirmou.

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Apesar da beligerância na disputa com o Japão, a China talvez queira, mais do que nunca, demonstrar que contribui para a paz regional. A questão norte-coreana poderá levar a China a estreitar relações com a Coreia do Sul, que ficaram prejudicadas com a falta de adesão do governo chinês à condenação internacional aos ataques da Coreia do Norte contra a Coreia do Sul em 2010. Também poderá oferecer uma nova plataforma de aproximação com os Estados Unidos.

Em uma conferência em Seul, em dezembro, Teng Jianqun, do Instituto de Estudos Internacionais da China, disse haver três visões sobre a política para a Coreia do Norte. Uma delas aponta o país como uma fonte de problemas que a China deveria abandonar e tratar como uma questão de segurança; outra, como um país em nenhuma relação com a China, que deve ser deixado de lado; e, por fim, que o país é um grande aliado que merece todo o apoio do governo chinês. Muitas vozes pedem que o apoio ao país seja mantigo. Teng lembrou que houve muitas críticas quando a China condenou os testes nucleares realizados pela Coreia do Norte em 2006 e 2009.

“O consenso é que o primeiro interesse da China é a estabilidade”, ressalta a Economist, destacando que “a sobrevivência da dinastia Kim agora parece estar ligada ao seu programa nuclear”. Desta forma, a China pode não achar interessante ampliar os esforços para interrompê-lo, mas, por outro lado, teme que um colapso do regime possa levar a uma agitação, com refugiados cruzando a fronteira rumo à China e uma maior presença de forças americanas na região.

(Com agência Reuters)