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Quatro autoridades do Paraguai renunciam por acordo sobre Itaipu

Firmado em maio, acerto sobre preço da energia que cabe aos paraguaios e é vendida ao Brasil acaba anulado por Assunção

O chanceler do Paraguai, Luis Castiglioni, e outras três autoridades pediram demissão ao presidente Mario Abdo Benítez como meio de apaziguar a crise política decorrente do mais recente acordo com o Brasil sobre a energia gerada na hidrelétrica de Itaipu. O acerto foi considerado desvantajoso pela maioria do Congresso paraguaio, que aprovou a anulação de seus termos. Abdo ratificou a decisão.

“O presidente aceitou a renúncia do chanceler Luis Castiglioni, do embaixador paraguaio no Brasil, Hugo Saguier Caballero, do presidente da Administração Nacional de Eletricidade (Ande), Alcides Jiménez, e do diretor paraguaio de Itaipú, Alberto Alderete”, anunciou nesta segunda-feira o porta-voz Hernán Hutteman.

A renúncia ocorre “após a decisão do Poder Executivo de solicitar a anulação da ata bilateral assinada (com o Brasil) em maio, a respeito das condições de contratação de energia da hidrelétrica binacional de Itaipu”. O acordo volta a ser renegociado, no nível técnico, informa comunicado oficial da Presidência paraguaia.

A oposição acusou o governo de ter negociado em segredo e de forma desvantajosa para o país a assinatura do acordo relacionado à compra de energia da hidroelétrica binacional. O acerto foi chamado de “entreguista” pelos setores de oposição. As distribuidoras Ande (Paraguai) e Eletrobras (Brasil) negociam anualmente os termos de contratação da energia elétrica procedente de Itaipu. Desde o início das operações da hidrelétrica, na década de 1970, a Eletrobras adquire a parcela de energia que cabe ao Paraguai e que não tem utilização nesse país.

Esta não é a primeira crise em torno dos acordos de compra e venda de energia. Mas, desta vez, a renúncia do então presidente da Ande, Pedro Ferreira, que discordou dos termos da ata, datada de maio, foi o estopim da mais nova rusga entre Brasil e Paraguai.  A oposição pediu a saída de Castiglioni e dos demais funcionários após alertar que Abdo poderia ser submetido a um julgamento político.

“Por ética e responsabilidade política, coloquei meu cargo à disposição do presidente Mario Abdo. Lamento que a tergiversação tenha levado a este estado de crispação. Todo o acordo foi transparente e em benefício do país”, disse Castiglioni no Twitter.

Na noite de domingo, Castiglioni anunciou em entrevista coletiva que o governo decidiu pedir a anulação da ata para solucionar a crise política. Ele disse que o documento acordado com o Brasil “foi alvo de uma enorme desinformação e manipulação política, pelos interesses criados em diversas partes da oposição”.