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Putin rejeita exigências de opositores e se nega a rever resultados de legislativas

Por Por Antoine Lambroschini 27 dez 2011, 15h00

O primeiro-ministro e candidato à Presidência da Rússia Vladimir Putin acusou seus opositores de não terem objetivos claros e de tentarem “deslegitimar” o processo eleitoral, negando-se a revisar os resultados das legislativas, consideradas fraudulentas pela oposição.

Os opositores “não têm um programa unificado, nem meios claros e compreensíveis para conquistar objetivos que tampouco o são. Também não possuem gente capaz de fazer coisas concretas”, disse Putin.

“Seu discurso aponta para deslegitimar e desvalorizar tudo o que ocorre na esfera pública, em particular as eleições”, disse Putin durante uma reunião com partidários.

No dia 24 de dezembro, ocorreu uma grande manifestação opositora. A mobilização de milhares de russos teve mais sucesso do que a de 10 de dezembro, data do primeiro protesto popular.

Além disso, os lemas dos manifestantes não se limitavam a criticar as eleições legislativas “fraudulentas” de 4 de dezembro, mas também tinham Putin como alvo, faltando menos de três meses para as eleições presidenciais.

No entanto, os jornais também ressaltaram as divergências políticas dentro da oposição, que conta com personalidades que vão da extrema esquerda à extrema direita, passando por liberais ou astros da televisão.

Neste contexto, o primeiro-ministro russo negou-se a revisar os resultados destas eleições.

“As eleições da Duma (câmara baixa do Parlamento) estão terminadas. E o Parlamento começou a se reunir e elegeu seu presidente (…) Não cabe nem falar em revisar nada”, declarou.

“A lei prevê apenas uma possibilidade: apelar em um tribunal”, explicou.

Referindo-se às eleições presidenciais previstas para março, Putin disse aos seus partidários da Frente Popular que queria eleições transparentes.

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“Que fique bem claro a todos. Quero poder contar com o apoio e a confiança do povo”, declarou o primeiro-ministro.

O ex-ministro das Finanças Alexei Kudrin, que apoia algumas das reivindicações opositoras, declarou ao jornal Vedomosti que Putin estava disposto a iniciar um diálogo com a oposição.

“Após conversar com Putin, ficou claro para mim que ele não tem medo das eleições de 4 de março e que vai tomar todas as medidas necessárias para organizar eleições presidenciais limpas”, disse Kudrin.

Por outro lado, Medvedev, que diante do descontentamento prometeu reformas do sistema político, anunciou nesta terça-feira à noite a nomeação do chefe-adjunto da administração presidencial Vladislav Surkov, considerado ideólogo do regime russo, para o posto de vice-primeiro-ministro responsável pela modernização.

Figura detestada pela oposição, a saída de Surkov do Kremlin não significa uma liberalização do regime, levando-se em conta a identidade de seu substituto, Viatcheslav Volodin, e a nomeação de Serguei Ivanov, que surgiu como Putin no KGB soviético, como chefe da administração do Kremlin.

“Não é um gesto em direção à oposição. Volodin é mais duro, mais conservador”, indicou Olga Krichtanovskaïa, cientista política e membro do partido no poder, Rússia Unida.

O atual movimento opositor é o maior que já enfrentou Putin, que já foi presidente de 2000 a 2008 e espera voltar ao cargo em 2012.

Uma centena de partidários do líder da Frente de Esquerda, Serguei Udaltsov, condenado no domingo a 10 dias de prisão por um tribunal de Moscou por não ter cumprido a totalidade de uma pena anterior, se manifestaram na segunda-feira diante do tribunal de Moscou.

Embora toda a oposição não compartilhe os pontos de vista de Udaltsov, outros líderes opositores, como o blogueiro Alexei Navalni ou o ex-campeão mundial de xadrez Garry Kasparov, participaram da manifestação para exigir sua libertação.

O blogueiro também disse estar disposto a ser candidato à presidência contra Putin se o sistema eleitoral for reformado. Com o sistema atual, não pode se apresentar, já que venceu o prazo para o registro das candidaturas.

O conjunto da oposição não comunista ainda não fixou a data de sua próxima manifestação comum, que certamente irá ocorrer após a temporada de festas de fim de ano, que se estende de 1º a 10 de janeiro na Rússia, mas partidários de Udaltsov afirmaram ter pedido autorização para protestar novamente em 29 de dezembro com o objetivo de exigir a libertação do líder da Frente de Esquerda.

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