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Putin inaugura ‘Disney do Exército’ para militarizar juventude russa

Os visitantes poderão dirigir tanques, disparar armas de grosso calibre e praticar esportes radicais. 'Lembrancinhas' com rostos de Putin e Stalin também são vendidas no local

Por Da Redação 20 jun 2015, 15h09

Para o presidente russo Vladimir Putin não há idade mínima para se unir ao Exército. Nesta semana, o mandatário voou de helicóptero até Kubinka, a uma hora da capital Moscou, para inaugurar a “Disney militarizada”: um parque que oferece de tudo – menos diversão. A inauguração do local reforça a intenção do presidente de atrair cada vez mais jovens para as colunas das Forças Armadas.O parque faz parte de um projeto maior, iniciado com a onda patriótica comandada por Putin com a anexação ilegal da península da Crimeia, no ano passado, e com as subsequentes sanções diplomáticas e econômicas que Estados Unidos e União Europeia impuseram à Rússia por seu envolvimento nos conflitos na Ucrânia. O presidente russo está ampliando sua influência à força e, para isso, precisa de mais armas e também soldados.

A estrutura do novo empreendimento de Putin poderá receber dezenas de milhares de visitantes, mas só deverá estar completamente pronta em 2017. Segundo o jornal The Guardian, hotéis serão construídos ao redor do parque para que as pessoas possam passar férias e ficar o tempo que desejarem no local. Calcula-se que a construção do parque custará ao ministério da Defesa 20 bilhões de rublos russos (1,1 bilhão de reais). O investimento exorbitante criará um ambiente em que adultos e crianças poderão dirigir tanques, disparar armas de grosso calibre e praticar esportes radicais. Reconstruções de famosas vitórias militares da Rússia e da extinta União Soviética também deverão ser realizadas.

As ligações com o passado comunista não param por aí. A lojinha do parque oferece uma infinidade de ‘lembrancinhas’ com o rosto de Putin e de outras figuras históricas do país. É possível encontrar souvenires, tais como ímãs de geladeira, que retratam Joseph Stalin e Lavrenty Beria, um dos capangas mais famosos do ditador soviético. Outro tema que aparece com frequência em camisetas, suéteres, jaquetas e capinhas para iPhone é a vitória da União Soviética contra os alemães nazistas na II Guerra Mundial. A Rússia comemorou efusivamente o aniversário de 70 anos do triunfo com uma ostensiva parada militar realizada em maio, em Moscou. A celebração, contudo, foi ignorada pelos chefes de Estado do Ocidente devido à campanha belicista do Kremlin no leste da Ucrânia.

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Por mais absurda que a ideia de uma criança manuseando um lançador de granadas possa parecer, Putin declarou no evento de inauguração que este é “um importante elemento em nosso sistema militar e patriótico para trabalhar com os jovens”. O parque também recebeu a benção da Igreja Ortodoxa do país. “Este é um presente para os cidadãos russos, que agora podem contemplar todo o poder das Forças Armadas do país”, disse o padre Sergei Privalov. “As crianças devem vir para cá, brincar com armas, escalar os tanques e presenciar toda a tecnologia moderna que antes elas não tinham conhecimento”, acrescentou.

Escalada militar – Não foi só a inauguração da ‘Disney do Exército’ que marcou a semana de Putin. O presidente reeditou a escalada militar característica da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a Rússia e anunciou que novos mísseis nucleares intercontinentais serão incorporados ao arsenal. O mandatário fez o anúncio um dia depois de autoridades russas repudiarem um plano dos Estados Unidos para posicionar tanques e armamento pesado em países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao longo da fronteira russa.

“Mais de 40 novos mísseis balísticos intercontinentais capazes de superar até os sistemas de defesa antimísseis mais avançados tecnicamente serão acrescentados à composição do arsenal nuclear ainda este ano”, afirmou Putin. Além de militarizar a juventude russa, o presidente pretende criar no parque de Kubinka uma exposição de armamentos para possíveis compradores internacionais. Na inauguração do local havia dezenas de delegações de países não ocidentais, incluindo a Arábia Saudita, um dos principais aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio. Um comandante da Marinha saudita disse que vinte funcionários do governo de seu país tinham ido à Rússia para “checar quais são as últimas novidades” em equipamentos militares.

(Da redação)

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