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Putin diz que EUA ‘prenderam’ Snowden em Moscou

Para presidente russo, delator americano estaria “mudando de ideia” sobre deixar de vazar informações para conseguir asilo na Rússia

O presidente russo Vladimir Putin afirmou nesta segunda-feira que os Estados Unidos “prenderam” o ex-técnico da CIA Edward Snowden na Rússia. O homem de 30 anos vazou informações sobre programas secretos de vigilância do governo americano para a imprensa. Antes de as informações serem divulgadas, ele deixou o Havaí, onde trabalhava como consultor da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), e foi para Hong Kong. De lá, seguiu para Moscou, onde estaria vivendo em uma zona de trânsito do aeroporto Sheremetyevo desde o dia 23 de junho – o passaporte dele foi suspenso e ele está impedido de se deslocar. “Os EUA falaram com todos os outros países. Ninguém quer levá-lo. Então, nesse sentido, eles efetivamente o prenderam em nosso país”, disse Putin a uma plateia de estudantes durante visita à ilha Hogland, no Mar Báltico. “Assim que houver uma oportunidade para ele ir a outro lugar, espero que ele faça isso.”

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Putin disse anteriormente que, para permanecer no país, o delator deveria parar de divulgar informações secretas. Nesta segunda, ele disse que o americano aparentemente está “mudando de posição” em relação à exigência feita. “As condições para a Rússia conceder asilo político são conhecidas por ele. E, julgando suas últimas ações, ele está mudando sua posição. Mas a situação ainda não está clara”, afirmou o presidente russo, segundo declarações divulgadas pela agência de notícias RIA Novosti.

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O ex-consultor da NSA pediu asilo a quase trinta países – a maioria negou a solicitação. Alguns países latino-americanos, no entanto, ofereceram guarida ao delator, incluindo Venezuela, Nicarágua, Bolívia.

A afirmação do presidente russo ocorre depois de Snowden dizer a ativistas de direitos humanos, na sexta-feira, que pretende pedir asilo temporário à Rússia. Um parlamentar russo presente ao encontro declarou à agência estatal Itar-Tass que Snowden declarou não ter intenção de causar prejuízos ao governo americano. “Eu disse tudo o que sabia e não vou prejudicar os Estados Unidos no futuro”, teria dito o americano, de acordo com Vyacheslav Nikonov. Ao jornal argentino La Nación, no entanto, o jornalista do Guardina Glenn Greenwald afirmou que o americano possui mais informação que pode causar danos ao governo americano. Um grande dano, no entanto, já foi feito com a simples revelação das longas garras da espionagem americana.

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Ações – A divulgação dos métodos usados pelas agências americanas para vasculhar dados de milhões de pessoas, dentro e fora de seu território, está fornecendo aos que se opõem a programas secretos novas formas de contestar sua constitucionalidade na Justiça. Segundo o jornal The Washington Post, desde que as informações vieram à tona, pelo menos cinco casos foram apresentados a cortes federais. A reportagem pondera, no entanto, que esses casos enfrentam enormes obstáculos, o principal, a resistência do governo com base na necessidade de atuação das agências para garantir a segurança nacional. Quase todas as cerca de setenta ações apresentadas depois da divulgação, em 2005, de que a administração George W. Bush realizava escutas sem mandato judicial foram rejeitadas.