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Promessa de Bolsonaro de ‘livrar’ o país do socialismo repercute no mundo

Presidente segurou uma bandeira do Brasil e disse estar disposto a dar seu sangue para que ela não se torne "vermelha"

Nesta terça-feira 1, o mundo voltou seus olhos para a posse do presidente Jair Bolsonaro. Para a imprensa internacional, um dos momentos mais marcantes da cerimônia foi o discurso do novo governante brasileiro, que afirmou que sua chegada ao poder representa “o dia em que o povo começou a se libertar do socialismo”.

O jornal britânico The Guardian foi um dos que mencionaram o trecho como destaque. “Suas palavras encantaram uma multidão de mais de 100.000 pessoas – muitas das quais viajaram à capital modernista para o evento, convencidas de que o populista de extrema direita pode resgatar o país conturbado da corrupção virulenta, do aumento do crime e da estagnação econômica”, mencionou o diário.

Já para o The New York Times, a guinada do Brasil para a direita ficou mais do que evidente durante a cerimônia de posse. “O Partido dos Trabalhadores (PT), que venceu as últimas quatro eleições presidenciais, foi esmagado na votação de outubro depois que o país entrou em recessão, a violência disparou e escândalos de corrupção cercaram grande parte da elite”, diz o jornal americano.

“O partido boicotou a cerimônia de posse, refletindo a persistente amargura de uma corrida presidencial que polarizou brasileiros como nenhuma outra na história recente”.

Para a emissora americana CBS News, “Bolsonaro é o último de vários líderes da extrema-direita em todo o mundo que chegaram ao poder se aproveitando das ondas de raiva contra o ‘establishment’ e prometendo abandonar o status quo”.

O termo em inglês ‘establishment’ se refere a elite social, econômica e política de uma país ou à ordem ideológica, econômica, política e legal que constitui sua sociedade.

Já o site do diário italiano Corriere della Sera chamou Bolsonaro de “líder da extrema direita” e “populista”. A publicação transcreveu trechos dos discursos e descreveu cada momento da cerimônia.

O jornal também criticou as “pobres referências” aos programas econômicos do novo governo durante o discurso de Bolsonaro, que segundo a reportagem “admitiu repetidamente não entender nada” sobre o assunto e delegou todas as questões relativas ao tema ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

O discurso

Durante seu discurso no Palácio do Planalto, após receber a faixa presidencial das mãos do ex-presidente Michel Temer (MDB), Bolsonaro disse do alto do parlatório do palácio que sua posse representa “o dia em que o povo começou a se libertar do socialismo, da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto”. Ele falou também em “restabelecer a ordem neste país”.

No final de sua fala, segurou uma bandeira do Brasil e disse estar disposto a dar seu sangue para que ela não se torne “vermelha”.

O francês Le Monde também deu destaque as declarações acaloradas de Bolsonaro. O jornal citou as promessas do presidente de livrar o país das “ideologias nocivas” que “destroem nossas famílias”, como as da “teoria do gênero” que abomina, ou “marxismo”, que ele acredita detectar nos livros didáticos.

Outro jornal francês, o Le Figaro, também citou os elogios ao fim do socialismo feitos pelo presidente brasileiro em sua página na internet. “Jair Bolsonaro assumiu o cargo na terça-feira, abrindo uma era de ruptura com sérias incertezas em relação à mudança para a extrema direita da maior potência da América Latina”, diz a reportagem.

Já o espanhol El País enfatizou a exibição da aliança de Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aproveitaram a cerimônia para mostrar, via Twitter, sua aliança, que é uma virada ‘copernicana’ da política externa brasileira”, ressaltou o periódico.

O argentino Clarín também destacou a promessa do novo presidente de “libertar o Brasil da corrupção, criminalidade e submissão ideológica”.

O forte esquema de segurança montado para a cerimônia de posse foi chamado de “descomunal” e uma análise da correspondente Eleonora Gosman ouviu personalidades do mercado e da política que apontaram os principais desafios para o presidente. Ao fim do texto, é abordado o temor de que o novo governo brasileiro afaste o país do Mercosul.

(Com Estadão Conteúdo)