Procurador quer investigar 14 policiais por tortura em protestos no Chile

O presidente Sebastián Piñera declarou que 'não tem nada a esconder' sobre a ação das forças de segurança

Por Da Redação - 6 nov 2019, 18h48

A Procuradoria do Chile anunciou nesta quarta-feira, 6, que buscará autorização da Justiça para investigar 14 policiais suspeitos de torturar manifestantes durante as quase três semanas protestos e tumultos intensos no país.

Dois casos ocorridos durante o estado de emergência em Santiago, de 18 a 27 de outubro, são alvo do procurador Manual Guerra. O primeiro tem relação com ações de 12 policiais em Nunoa, subúrbio da capital em que manifestantes desafiaram o toque de recolher para fazer demonstrações. No segundo, dois policiais de La Florida foram acusados de espancar um jovem algemado.

Os supostos casos tiveram como pano de fundo os piores tumultos do Chile desde o final da ditadura de Augusto Pinochet, que durou de 1973 a 1990. Os 20 dias de revoltas somam ao menos 23 mortes, mais de 7.000 detenções e 1.659 manifestantes feridos.

Procuradores estão investigando mais de 800 alegações de abusos, incluindo tortura, estupro e espancamentos realizados por forças de segurança durante manifestações contra a desigualdade e o custo de vida no Chile. O presidente Sebastián Piñera declarou que “não tem nada a esconder” sobre a ação das forças de segurança.

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Ato de caminhoneiros

Nesta quarta-feira, caminhoneiros organizaram mais um dia de manifestação contra as tarifas de pedágio cobradas em todo o país. Rodovias de acesso, ou que circundam Santiago, foram ocupadas, o que gerou caos no horário de rush na capital.

No ato convocado por um coletivo da categoria, que pedem reduções nos valores diários e mensais, condutores dirigiram lentamente em comboio. A demonstração ocorre depois de dois dias de rodadas de negociação com o governo, sem qualquer resultado positivo.

Entre as principais reivindicações dos manifestantes estão a redução de 80% do preço do sistema TAG, usado para pagamento online do pedágio. Os motoristas afirmam que o gasto mensal com pedágios nas principais rodovias privatizadas do país pode chegar a 120.000 pesos (641 reais).

O protesto dos caminhoneiros é só mais um capítulo da agitação social que o Chile atravessa nas últimas semanas.

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(Com Reuters e EFE)

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