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Procurador defende continuidade de investigação de denúncia contra Cristina

Germán Moldes ressaltou necessidade de ‘desvendar’ o ocorrido e criticou juiz por apressadamente decidir que não houve delito

Por Da Redação - 19 mar 2015, 18h44

O procurador-geral Germán Moldes pediu nesta quinta-feira a reabertura da investigação da denúncia apresentada por Alberto Nisman contra a presidente Cristina Kirchner por acobertar iranianos envolvidos no atentado contra o centro judaico Amia (Associação Mutual Israelita da Argentina), que deixou 85 mortos em Buenos Aires em 1994.

No pedido apresentado à Justiça, o procurador defendeu a necessidade de “investigar, por em andamento o processo e desvendar o acontecimento que chegou ao nosso conhecimento”. Em reportagem exclusiva da edição desta semana de VEJA, ex-integrantes da cúpula do venezuelano Hugo Chávez confirmaram a conspiração denunciada por Nisman.

“Para superar essa situação de incerteza, é necessário concretizar pelo menos as diligências úteis que permitam tomar conhecimento dos fatos denunciados, pois o contrário significaria, simplesmente, abortar a averiguação”, argumentou o procurador-geral argentino.

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Na prática, Moldes manteve o recurso de apelação apresentado pelo promotor Gerardo Pollicita contra a decisão do juiz federal Daniel Rafecas, que havia rejeitado a denúncia, alegando ausência de delito. Ao citar um caso anterior, o procurador criticou indiretamente Rafecas, dizendo que “um magistrado extraordinariamente apressado debilitou todo o curso processual e chegou à fatal conclusão – sem pedir nenhuma materialização de prova – sobre a ausência de delito”.

“Assim como a lentidão exaspera, desanima e, às vezes, indigna, a aceleração precipitada e imprudente com frequência lastima, confunde culpados com inocentes e só acaba em desilusão”, acrescentou, segundo a imprensa argentina.

Por fim, ele pediu aos juízes da Câmara Federal que revoguem a decisão e “ordenem que a investigação prossiga”. Presidente da Procuradoria Geral na Câmara de Apelações, Moldes foi confirmado no caso esta semana, depois de pedidos para que ele fosse afastado. O deputado Andrés Larroque foi um dos que defendeu o afastamento, alegando que ele teria deixado de ser imparcial ao participar da marcha realizada no dia 18 de fevereiro em memória de Nisman.

A Câmara Federal de juízes agora deverá decidir se as acusações apresentadas por Nisman merecem ser investigadas ou se devem ser desconsideradas, como decidiu Rafecas.

No dia 14 de janeiro, Nisman apresentou uma denúncia contra Cristina Kirchner e vários apoiadores indicando que o governo teria trabalhado para encobrir o envolvimento do Irã em troca de acordos comerciais com o país persa. Quatro dias depois, e na véspera de detalhar a denúncia em uma audiência no Congresso, o promotor foi encontrado morto no banheiro do apartamento em que morava, em Buenos Aires. As circunstâncias da morte ainda não foram esclarecidas.

(Da redação)

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