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Premiê da Espanha se reúne com presidente da Catalunha em Madri

O socialista Pedro Sánchez se recusou a discutir a autodeterminação da região da Catalunha; conversa abriu caminho para futura conciliação

O chefe do Executivo da Espanha, o socialista Pedro Sánchez, e o presidente da região autônoma da Catalunha, o independentista Joaquim Torra, se reuniram nesta segunda-feira em Madri pela primeira vez desde que ambos assumiram seus cargos. No centro das discussões esteve o reconhecimento da Espanha ao direito de autodeterminação do povo catalão, tópico que ainda causa atrito nos dois governos.

A reunião entre Sánchez e Torres durou mais de duas horas. O político independentista reivindicou o direito de autodeterminação da Catalunha, confirmou a vice-presidente do Governo espanhol, Carmen Calvo, em entrevista coletiva. Em princípio, um reconhecimento desse direito por Madri abriria caminho para a independência da Catalunha e a criação de um Estado soberano.

O presidente espanhol, por outro lado, respondeu que “há muito pouco a falar” sobre a autodeterminação catalã, já que não está prevista em Constituição. Sánchez lembrou o Estatuto de Autonomia, que regula o governo da Catalunha, e o alto grau de descentralização existente na Espanha. Por isso, disse Carmen Calvo, não há nenhuma margem para acordo.

No entanto, Sánchez se comprometeu com Torra a suspender os “vetos” impostos pelo governo central interpôs no Tribunal Constitucional (TC) contra algumas leis catalãs, como forma de normalizar as relações entre os dois governos, muito deterioradas pelo processo separatista na Catalunha.

O encontro criou grande expectativa, já que não havia uma agenda prévia estabelecida. O governo da Espanha havia apenas anunciado na semana passada que não haveria veto para nenhum tema, desde que estivessem dentro dos limites da Constituição.

Segundo o jornal espanhol El País, apesar da recusa de Sánchez em discutir autodeterminação da Catalunha, Torra elogiou a reunião, pois o presidente espanhol se mostrou interessado no tema, tomando notas. A tensão envolvendo o governo da Espanha e os separatistas catalães atingiu seu momento mais preocupante no ano passado, quando um referendo apontou a vitória daqueles que queriam ver a Catalunha independente.

Na época, o governo de Mariano Rajoy aprovou a intervenção do governo espanhol na Catalunha e considerou o então presidente catalão, Carles Puigdemont, como responsável pela ativação das medidas. Puigdemont foi deposto logo após o referendo e teve de se refugiar em Bruxelas para evitar a prisão. A fuga do presidente catalão causou impasse no cargo executivo da região, até que Joaquim Torra foi eleito presidente.

(Com EFE)