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Primeira rodada de negociação de paz na Síria termina em impasse

Lakhdar Brahimi, mediador da ONU se declarou 'muito, muito desapontado'. Próximo encontro entre oposição e governo sírios será em 10 de fevereiro

Por Da Redação 31 jan 2014, 10h33

A primeira rodada de negociações de paz sobre a Síria termina nesta sexta-feira com os dois lados irredutíveis nas suas posições e a frustração do mediador das Nações Unidas (ONU) pela falta de acordo para o envio de ajuda humanitária a uma cidade sitiada. Depois de uma semana de negociações na sede da ONU em Genebra, os dois lados da guerra civil síria não conseguiram chegar a um acordo sobre os procedimentos do diálogo. A sessão de fechamento desta sexta-feira será cerimonial, e os representantes de governo e oposição devem se encontrar novamente em 10 de fevereiro.

“Espero que na próxima sessão, quando voltarmos, a gente consiga ter uma discussão mais estruturada”, afirmou o mediador Lakhdar Brahimi, que se declarou “muito, muito desapontado” pelo fato de um comboio de ajuda da ONU estar ainda esperando para entrar na cidade de Homs, controlada pelos rebeldes, onde há pessoas passando fome. Jens Laerke, porta-voz da ONU, afirmou que as negociações sobre a ajuda humanitária ainda estão em andamento.

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Sem obter resultados, os diplomatas dizem que a prioridade agora é manter as negociações vivas e esperar que as posições extremadas se modifiquem com o tempo. O primeiro encontro entre o governo do ditador Bashar Assad e seus opositores começou na semana passada, com uma conferência internacional onde os dois lados se mantiveram firmes nas suas posições. As negociações pareceram estar à beira do colapso antes de começarem, e colocar posteriormente representantes dos dois grupos na mesma sala foi visto como uma conquista.

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Numa tentativa de avançar, os dois lados concordaram na quarta-feira em usar um documento de 2012 como base para as discussões, mas logo ficou claro que as diferenças permaneciam. A pauta adotada em 2012 para as negociações fala na implementação de um governo provisório, que a oposição e os seus aliados internacionais dizem que deve excluir o ditador Assad. A sessão final de negociações na quinta-feira começou com um gesto raro de harmonia, quando os dois lados fizeram um minuto de silêncio pelas 130.000 pessoas mortas durante a guerra. “Simbolicamente foi positivo”, disse Ahmad Jakal, representante da oposição. (Continue lendo o texto)

No entanto, os dois grupos rapidamente voltaram para o impasse. Os representantes do governo acusaram a oposição de apoiar o terrorismo, por ela se recusar a assinar um documento que condenava a prática. “Apresentamos uma proposta para que os dois lados concordassem sobre a importância de combater a violência e o terrorismo. O outro lado rejeitou porque eles estão envolvidos em terrorismo”, disse o vice-ministro do Exterior da Síria, Faisal Mekdad. Damasco usa a palavra “terrorista” para se referir a todos os rebeldes. Países ocidentais declararam terroristas alguns grupos islâmicos entre os rebeldes, mas consideram outros grupos combatentes legítimos.

Cerca de 1.900 pessoas morreram na Síria desde o início das negociações de paz em Genebra, em 22 de janeiro, informou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH). “Isso dá uma média de 208 mortos por dia e o número real de mortes é certamente mais elevado”, disse o diretor do Observatório, Rami Abdel Rahman. Ao menos 498 civis estão entre as vítimas do conflito, que não foi interrompido durante o encontro em Genebra. “A conferência de paz de Genebra deveria ter sido realizada com um cessar total das operações militares e das prisões. Pedimos à comunidade internacional que atua de forma séria e real para deter o assassinato e as violações dos direitos humanos na Síria antes de promover uma solução política”, completou.

Ajuda paralisada – Um comboio da ONU com toneladas de ajuda humanitária para cerca de 2.500 civis em Homs, que sofrem com um cerco militar há mais de um ano, “segue esperando” que o governo sírio e os grupos armados cheguem a um acordo para permitir o acesso seguro à cidade. “Lamentavelmente, o comboio não se move e segue esperando. O governo e os grupos armados estão negociando o acesso”, declarou o porta-voz da ONU Jens Laerke.

O funcionário disse que depende das partes, e não da ONU, “negociar entre elas o modo para que a distribuição seja segura, tanto para quem a efetua como para os beneficiados”. O carregamento de ajuda contém alimentos, artigos de primeira necessidade e contra o frio, remédios e vacinas. Sobre a possibilidade de fazer uma distribuição aérea de ajuda em Homs, a porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Elizabeth Byrs, disse que esta é uma opção utilizada em “casos muito específicos” e não esclareceu se está pensando em adotá-la.

(Com agências Reuters e EFE)

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