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Primeira-ministra do Reino Unido enfrenta moção de censura

Processo foi aberto por deputados do próprio partido de Theresa May e será votado ainda hoje; se perder moção premiê deverá renunciar

A primeira-ministra britânica, Theresa May, enfrentará nesta quarta-feira, 12, uma moção de censura apresentada por deputados de seu próprio Partido Conservador, determinados a afastá-la do poder e da negociação do Brexit com a União Europeia (UE).

“Lutarei contra esta votação com tudo que tenho”, disse May em uma breve declaração à imprensa, pouco depois do anúncio da votação.

“Estou firmemente decidida a terminar o trabalho”, completou, um dia depois de viajar a várias capitais europeias em busca garantias que permitissem a sobrevivência de seu polêmico acordo do Brexit fechado com Bruxelas há duas semanas.

Nos países que adotam o sistema parlamentarista, a moção de censura, também chamada de moção ou voto de não confiança, é uma proposta parlamentar apresentada pelo governo com o propósito de verificar se o Parlamento confia no governo ou se a atual liderança detém a maioria no legislativo.

Para organizar a moção contra May era necessário que 15% dos deputados de seu partido, ou seja 48 membros, apresentassem o pedido ao Comitê 1922, responsável pela organização interna dos conservadores.

Um grupo de membros mais eurocéticos da legenda, irritados com o acordo do Brexit que May negociou com Bruxelas por considerar que o texto faz concessões inaceitáveis à União Europeia, tentava reunir este número há algum tempo.

E eles finalmente conseguiram depois que a primeira-ministra cancelou na última hora, na segunda-feira 10, a votação sobre o texto que estava prevista para terça-feira no Parlamento. A decisão da premiê desagradou muitos membros da Casa dos Comuns e minou ainda mais sua autoridade.

A moção de censura é aprovada ou rejeitada por meio de votação. A questão começará a ser votada 16h e 18h do horário de Brasília desta quarta-feira na Câmara dos Comuns. O resultado será divulgado assim que possível, segundo Graham Brady, presidente da chamada comissão 1922 do Partido Conservador.

May pode ser derrubada se 158 dos 315 parlamentares de seu partido votarem contra ela. Se a premiê ganhar a votação, este processo não poderá ser repetido por um ano, mas, se perder, terá que apresentar a renúncia e se iniciará uma campanha para eleger um novo líder.

Apoio dos conservadores

Na primeira hora desde que a moção de censura foi apresentada, ao menos 100 deputados da legenda de May expressaram seu apoio à premiê.

O ministro de Relações Exteriores, Jeremy Hunt, afirmou na sua conta no Twitter que respaldará May porque está fazendo “atualmente o trabalho mais difícil” e acrescentou que “a última coisa que o país precisa é um processo (interno) longo e prejudicial”.

“O Brexit nunca seria fácil, mas ela é a melhor pessoa para assegurar que vamos embora da UE”, acrescentou Hunt.

Por sua parte, o titular de Interior, Sajid Javid, destacou que “a última coisa que o país precisa é uma eleição para a liderança do Partido Conservador”, e mostrou seu apoio a May porque “é a melhor pessoa para assegurar que sairemos da União Europeia em 29 de março”.

Já o ministro para o Brexit, Steve Barclay, disse que apoia “plenamente” a primeira-ministra e acrescentou que o país está “em um momento crucial”.

“Precisamos apoiar Theresa May para cumprir o resultado do referendo. A primeira-ministra está trabalhado pelo interesse nacional e esta distração causará mais incerteza”, afirmou Barclay também no Twitter.

Por sua vez, o pró-Europa ministro da Economia, Philip Hammond, também expressou seu apoio a May ao ressaltar que trabalhou pelo bem do interesse nacional em relação ao Brexit e que negociou para proteger os empregos e as empresas.

O Brexit

O Brexit é a decisão política e econômica mais significativa do Reino Unido desde a Segunda Guerra Mundial.

Após o referendo de junho de 2016, no qual 52% dos britânicos votaram a favor do divórcio, o Reino Unido deve sair do bloco em 29 de março. Caso não ratifique o texto negociado com Bruxelas, a retirada deve acontecer sem acordo, o que teria consequências catastróficas para a economia britânica.

Alguns partidários da permanência no bloco têm, no entanto, a esperança de que a rejeição do Parlamento ao acordo provoque um segundo referendo que inclua a possibilidade de anular todo o processo.

O resultado moldará a economia britânica de 2,8 trilhões de dólares, terá consequências abrangentes para a unidade do país e determinará se Londres consegue se manter como um dos dois maiores centros financeiros do mundo.

A libra, que perdeu 25 centavos em relação ao dólar desde o referendo de 2016, caiu devido ao voto de não confiança, mas depois subiu para 1,2548 dólar com a notícia de que o Brexit pode precisar ser adiado.

(Com AFP, EFE e Reuters)