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Primeira-ministra do Reino Unido enfrenta moção de censura

Processo foi aberto por deputados do próprio partido de Theresa May e será votado ainda hoje; se perder moção premiê deverá renunciar

Por Da Redação - 12 dez 2018, 08h49

A primeira-ministra britânica, Theresa May, enfrentará nesta quarta-feira, 12, uma moção de censura apresentada por deputados de seu próprio Partido Conservador, determinados a afastá-la do poder e da negociação do Brexit com a União Europeia (UE).

“Lutarei contra esta votação com tudo que tenho”, disse May em uma breve declaração à imprensa, pouco depois do anúncio da votação.

“Estou firmemente decidida a terminar o trabalho”, completou, um dia depois de viajar a várias capitais europeias em busca garantias que permitissem a sobrevivência de seu polêmico acordo do Brexit fechado com Bruxelas há duas semanas.

Nos países que adotam o sistema parlamentarista, a moção de censura, também chamada de moção ou voto de não confiança, é uma proposta parlamentar apresentada pelo governo com o propósito de verificar se o Parlamento confia no governo ou se a atual liderança detém a maioria no legislativo.

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Para organizar a moção contra May era necessário que 15% dos deputados de seu partido, ou seja 48 membros, apresentassem o pedido ao Comitê 1922, responsável pela organização interna dos conservadores.

Um grupo de membros mais eurocéticos da legenda, irritados com o acordo do Brexit que May negociou com Bruxelas por considerar que o texto faz concessões inaceitáveis à União Europeia, tentava reunir este número há algum tempo.

E eles finalmente conseguiram depois que a primeira-ministra cancelou na última hora, na segunda-feira 10, a votação sobre o texto que estava prevista para terça-feira no Parlamento. A decisão da premiê desagradou muitos membros da Casa dos Comuns e minou ainda mais sua autoridade.

A moção de censura é aprovada ou rejeitada por meio de votação. A questão começará a ser votada 16h e 18h do horário de Brasília desta quarta-feira na Câmara dos Comuns. O resultado será divulgado assim que possível, segundo Graham Brady, presidente da chamada comissão 1922 do Partido Conservador.

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May pode ser derrubada se 158 dos 315 parlamentares de seu partido votarem contra ela. Se a premiê ganhar a votação, este processo não poderá ser repetido por um ano, mas, se perder, terá que apresentar a renúncia e se iniciará uma campanha para eleger um novo líder.

Apoio dos conservadores

Na primeira hora desde que a moção de censura foi apresentada, ao menos 100 deputados da legenda de May expressaram seu apoio à premiê.

O ministro de Relações Exteriores, Jeremy Hunt, afirmou na sua conta no Twitter que respaldará May porque está fazendo “atualmente o trabalho mais difícil” e acrescentou que “a última coisa que o país precisa é um processo (interno) longo e prejudicial”.

“O Brexit nunca seria fácil, mas ela é a melhor pessoa para assegurar que vamos embora da UE”, acrescentou Hunt.

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Por sua parte, o titular de Interior, Sajid Javid, destacou que “a última coisa que o país precisa é uma eleição para a liderança do Partido Conservador”, e mostrou seu apoio a May porque “é a melhor pessoa para assegurar que sairemos da União Europeia em 29 de março”.

Já o ministro para o Brexit, Steve Barclay, disse que apoia “plenamente” a primeira-ministra e acrescentou que o país está “em um momento crucial”.

“Precisamos apoiar Theresa May para cumprir o resultado do referendo. A primeira-ministra está trabalhado pelo interesse nacional e esta distração causará mais incerteza”, afirmou Barclay também no Twitter.

Por sua vez, o pró-Europa ministro da Economia, Philip Hammond, também expressou seu apoio a May ao ressaltar que trabalhou pelo bem do interesse nacional em relação ao Brexit e que negociou para proteger os empregos e as empresas.

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O Brexit

O Brexit é a decisão política e econômica mais significativa do Reino Unido desde a Segunda Guerra Mundial.

Após o referendo de junho de 2016, no qual 52% dos britânicos votaram a favor do divórcio, o Reino Unido deve sair do bloco em 29 de março. Caso não ratifique o texto negociado com Bruxelas, a retirada deve acontecer sem acordo, o que teria consequências catastróficas para a economia britânica.

Alguns partidários da permanência no bloco têm, no entanto, a esperança de que a rejeição do Parlamento ao acordo provoque um segundo referendo que inclua a possibilidade de anular todo o processo.

O resultado moldará a economia britânica de 2,8 trilhões de dólares, terá consequências abrangentes para a unidade do país e determinará se Londres consegue se manter como um dos dois maiores centros financeiros do mundo.

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A libra, que perdeu 25 centavos em relação ao dólar desde o referendo de 2016, caiu devido ao voto de não confiança, mas depois subiu para 1,2548 dólar com a notícia de que o Brexit pode precisar ser adiado.

(Com AFP, EFE e Reuters)

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