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Presidente propõe Governo tecnocrata como solução à crise na Grécia

Andrés Mourenza.

Atenas, 14 mai (EFE).- O presidente da Grécia, Karolos Papoulias, propôs nesta segunda-feira uma solução de urgência que pouco agradou: a formação de um novo gabinete de tecnocratas para dirigir o país em um momento de incerteza sobre a continuidade na zona do euro.

A proposta foi conhecida no final de mais um dia de reuniões políticas para sair do impasse em que a Grécia está mergulhado por causa da fragmentação política resultado das eleições de 6 de maio. ‘O presidente da República, em um último esforço, propôs a formação de um Governo de personalidades com amplo apoio parlamentar’, explicou o líder do social-democrata Pasok, Evangelos Venizelos, ao término da reunião com Papoulias.

No entanto, Venizelos se mostrou reticente quanto à ideia. ‘Estamos dispostos a apoiar um Governo assim, embora em princípio não sejamos a favor de um Governo de tecnocratas’, disse. Já para o líder da pequena formação centro-esquerda Dimar, Fotis Kouvelis, essa formação no governo significa a derrota da política.

Papoulias tinha convidado os líderes dos partidos considerados pró-europeus: o conservador Nova Democracia (ND), o esquerdista radical Syriza, o social-democrata Pasok e o centro-esquerdista Dimar. Contudo, o líder do Syriza, Alexis Tsipras, decidiu não participar do encontro por se opor a formação de um Governo com ND e Pasok.

Em princípio, os outros três agrupamentos – ND, Pasok e Dimar – poderiam formar um Governo de coalização, pois contam com uma maioria parlamentar, 168 dos 300 deputados do plenário heleno, mas Kuvelis se opôs. ‘Depois da recusa de Kuvelis para a formação de um Governo sem a participação de Syriza, uma atitude que considero arrogante, pedi ao presidente a formação de um Governo como foi proposto por Kammenos’, explicou o chefe do ND, Antonis Samaras.

No último domingo, o líder de Gregos Independentes, Panos Kammenos, pediu a formação de um gabinete tecnocrático e nesta segunda garantiu que seu partido apoiará um Governo de união nacional caso da Grécia esteja em perigo de colapso iminente.

‘Acho que é melhor um Governo formado por políticos, mas em casos de urgência como o que vivemos, um Governo de tecnocratas poderia ser aceitável’, disse Samaras. Mesmo assim, o chefe do ND pediu para saber dos partidos que apoiarão um Governo tecnocrara antes de estabelecer as personalidades que o comporão.

Para amanhã, foi convocada uma nova reunião às 14h locais (8h de Brasília). Além dos três partidos da reunião desta segunda, foram convidados o Syriza, o direitista Gregos Independentes e o Partido Comunista, ou seja, todos que obtiveram representação parlamentar, com exceção da formação neonazista Amanhecer Dourado.

No Parlamento que saiu das urnas em 6 de maio, ND tem 108 cadeiras (50 de presente por ser a força mais votada); Syriza, 52; Pasok, 41; Gregos Independentes, 33; o Partido Comunista, 26; Amanhecer Dourado, 21, e Dimar, 19.

Com esta situação, a Grécia volta praticamente ao ponto de partida e as opções de pactuar um Governo de união nacional seguem sendo exíguas, embora existam várias possibilidades entre os partidos políticos para formar uma maioria.

Isto se deve principalmente às grandes diferenças entre os partidos gregos sobre a necessidade de desligar-se ou não, e como, do acordo assinado entre o Governo de coalizão antes das eleições, (Pasok-ND), com a União Europeia sobre as medidas de austeridade em troca dos empréstimos internacionais.

‘Insistimos em nossa proposta inicial sobre a necessidade de um Governo de união nacional para manter o país na zona do euro’, exigiu Kuvelis. Enquanto isso, Samaras e Venizelos se mostraram dispostos a renegociar o memorando, enquanto o outros partidos exigem seu imediato abandono.

Diante desse cenário, o índice geral ATHEX da Bolsa de Atenas desabou nesta segunda 4,56%, até níveis que não eram registrados desde inícios da década de 1990. EFE