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Presidente interino da República Centro-Africana renuncia

Michel Djotodia e o primeiro-ministro Nicolas Tiengaye haviam assumido o poder em março do ano passado, depois de um golpe contra François Bozizé

O presidente da República Centro-Africana, Michel Djotodia, e o primeiro-ministro Nicolas Tiengaye renunciaram ao governo nesta sexta-feira, pressionado por líderes regionais que convocaram uma reunião extraordinária no Chade. Incapaz de conter os ataques entre rebeldes muçulmanos e milícias da maioria cristã, Djotodia, de 65 anos, tornou-se profundamente impopular. A ponto de sua renúncia ser comemorada por milhares de pessoas que foram às ruas da capital Banghi aos gritos de “acabou, acabou”. A presidência interina de Djotodia durou nove meses, período em que a comunidade internacional o acusou de passividade diante dos conflitos religiosos no país.

Primeiro presidente muçulmano da República Centro-Africana, ele assumiu o poder depois da deposição de François Bozizé, em um golpe em março do ano passado. O golpe foi realizado pela coalizão rebelde Seleka, que levou Djotodia ao poder. Oficialmente, o presidente interino baniu os rebeldes em setembro, mas, na prática, o grupo continuou a cometer atrocidades contra cristãos e a recrutar crianças como soldados. As comunidades cristãs estabeleceram forças de autodefesa, em sua maioria leais ao presidente deposto.

Os confrontos registrados em dezembro deixaram mais de 1.000 mortos e cerca de 1 milhão de refugiados – quase metade dos moradores deixaram a capital e muitos vilarejos no país ficaram desertos, informou a rede BBC. A ONU alertou para o risco de um genocídio e agências humanitárias relataram uma crise no país. A França interveio na ex-colônia, com o envio de 1.600 soldados. Em sua defesa, Djotodia disse que ninguém poderia resolver os muitos problemas do país em alguns meses. “Eu não sou Deus. Sou um homem como você e este país é vasto – 623.000 quilômetros quadrados. Você pode trazer um anjo do céu para governar este país e ainda assim haveria problemas”, disse, segundo o jornal britânico The Guardian.

A saída de Djotodia e do primeiro-ministro, contudo, deixa o país mais uma vez diante de um futuro incerto. A República Centro-Africana já enfrentou cinco golpes desde que conquistou a independência da França, em 1960. Os substitutos do presidente e do primeiro-ministro serão apontados pelo Conselho Nacional de Transição, que tem quinze dias de prazo para escolher os nomes. O ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, pediu que a substituição ocorra “o mais rapidamente possível”, com o objetivo de realizar eleições no fim deste ano.

República Centro-Africana

(Com agência France-Presse)