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Presidente do Peru renuncia

Alegações de compra de votos atingiram partido de centro-direita do presidente às vésperas de uma votação pelo impeachment do mandatário

Por Da redação - Atualizado em 22 mar 2018, 00h44 - Publicado em 21 mar 2018, 16h19

O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski apresentou seu pedido de renúncia ao Congresso após alegações de compra de votos atingirem seu partido de centro-direita às vésperas de uma votação pelo impeachment do mandatário.

Em um pronunciamento oficial transmitido pela televisão, o agora ex-presidente afirmou que a decisão foi tomada devido ao “clima de ingovernabilidade” que “não permite avançar”.

Em um vídeo gravado no Palácio de Governo no qual apareceu escoltado por todo o Executivo, o presidente denunciou a “grave distorção do processo político” causada pela divulgação de vídeos e áudios nas últimas horas que faziam-no “injustamente parecer como culpado de atos” nos quais não tinha participado e que, por isso, “o melhor para o país é que renuncie à presidência”.

Os vídeos citados por Kuczynski mostram o congressista Kenji Fujimori e seus aliados tentando comprar o apoio de congressistas para que votassem contra uma moção de destituição que corria contra o presidente no Legislativo.

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Kuczynski, um ex-executivo do setor bancário de Wall Street de 79 anos, iria se encontrar com o presidente americano, Donald Trump, na Cúpula das Américas, que ocorre no Peru em abril.

Em seu pronunciamento, o presidente voltou a negar as acusações de compra de votos. “Rejeito essas declarações nunca comprovadas, reitero meu compromisso com um Peru honesto para todos”, disse. “Eu envio esta carta para o Congresso, na qual renunciou como presidente constitucional da República”, completou.

“Haverá uma transição constitucionalmente ordenada”, destacou, em referência ao fato de que a Constituição peruana estabelece que o cargo deve ser assumido pelo primeiro vice-presidente, Martín Vizcarra, que atualmente é embaixador peruano no Canadá.

Em sua mensagem à nação, Kuczynski disse também que desde que assumiu o poder, em 28 de julho de 2016, agiu “dando o melhor”, “apesar da constante obstaculização e ataques” de que foi alvo “por parte da maioria legislativa”, que é controlada pelo partido fujimorista Força Popular.

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O presidente assegurou que nos dois pedidos de destituição apresentados contra ele no Congresso se usou o “pretexto de que havia supostamente mentido” sobre sua vida profissional.

Na semana passada, o Congresso do Peru aprovou a abertura de um segundo pedido de destituição contra Kuczynski por permanente incapacidade moral e por suas declarações mentirosas sobre os vínculos com a Odebrecht. A moção que pedia o impeachment seria votada em uma sessão nesta quinta-feira, 22. 

Tratou-se da segunda moção de destituição apresentada em três meses, dado que o Congresso debateu em dezembro do ano passado um primeiro processo de impeachment também impulsionado pelos vínculos de Kuczynski com a construtora brasileira, da qual o presidente se salvou graças à abstenção de dez legisladores do fujimorismo.

(Com Reuters e EFE)

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