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Presidente do Egito pede diálogo para encerrar crise

Em pronunciamento na TV, Mohamed Mursi convoca 'diálogo nacional' para sábado e diz que formará nova assembleia se povo rejeitar Constituição

Por Da Redação 6 dez 2012, 18h21

Em pronunciamento na TV nesta quinta-feira, o presidente do Egito, Mohamed Mursi lamentou as mortes nos conflitos envolvendo apoiadores e opositores de seu governo e fez um chamado a um ‘diálogo nacional’ com a oposição em reunião neste sábado.

“Convoco um diálogo pleno e produtivo com todas as figuras e chefes dos partidos, a juventude revolucionária e personalidades jurídicas graduadas, a se reunirem neste sábado”, disse Mursi, acrescentando que o encontro será no palácio presidencial.

Mursi também afirmou que formará uma nova assembleia se a Constituição aprovada na última sexta-feira for rejeitada pelo povo no referendo marcado para o próximo dia 15.

O presidente disse que seis pessoas morreram e mais de 700 ficaram feridas nos confrontos perto do palácio presidencial, no Cairo, que foi cercado na terça-feira.

O pronunciamento também serviu para Mursi voltar a defender o decreto anunciado no dia 22, que amplia seus poderes – as medidas foram responsáveis por intensificar as manifestações contra o governo. A aprovação da Constituição de forma apressada e ignorando o boicote de vários integrantes da Assembleia Constituinte só fez aumentar o descontentamento. Liberais, socialistas, cristãos e muçulmanos seculares não suportaram a intransigência da bancada fundamentalista islâmica e ficaram fora da elaboração do texto.

Nesta quinta-feira, Mursi disse que o decreto se aplica apenas para questões ligadas à soberania e que as medidas perderão a validade depois do referendo. “A declaração constitucional vai terminar assim que forem divulgados os resultados do referendo, seja o resultado um sim ou um não. Eu pretendo que o decreto seja um estágio no sentido de garantir a Constituição”.

Sua fala não apontou nenhuma intenção imediata de abrir mão de poderes previstos no decreto – que, entre outras questões, estabelece que suas decisões não podem ser contestadas judicialmente. A oportunidade para uma possível mudança de posicionamento do presidente – que até aqui parece pouco provável – pode vir na reunião de sábado com opositores.

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Como o presidente já havia defendido o caráter ‘temporário’ do decreto anteriormente, sem que isso acalmasse os ânimos de seus opositores, o novo pronunciamento também pode se mostrar uma tentativa inócua de reverter a pior crise enfrentada pelo governo desde que Mursi venceu as eleições, em junho deste ano.

As três décadas de ditadura do militar Hosni Mubarak, que deixou o poder em fevereiro do ano passado, foi substituída por outro autocrata que o povo volta a combater.

Milhares de manifestantes protestaram perto do palácio presidencial depois do discurso de Mursi e gritaram “assassino, assassino” e “nós não sairemos, ele sairá” – slogans usados contra Mubarak na revolta do ano passado. Escritórios da Irmandade Muçulmana – movimento do qual Mursi faz parte – foram atacados no Cairo.

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Culpados – Mursi disse que mais de 80 pessoas foram detidas e que algumas delas apontaram quem lhes havia fornecido armas. “Os incidentes de ontem foram piores que os do dia anterior, porque as manifestações pacíficas foram tomadas por pessoas infiltradas. Armas de fogo foram usadas”.

Dentre as centenas de feridos, 62 foram atingidos por tiros, disse o presidente, acrescentando que os que ele considera que foram infiltrados nas manifestações, em troca de dinheiro, serão punidos. “O [decreto] causou alguma objeção e isso é aceitável. Mas para aqueles que abusaram e trouxeram armas e deram dinheiro, é hora agora de prestar contas na justiça”.

(Com agência Reuters)

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