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Presidente da Itália designa Mario Monti como líder do novo governo

Por Vincenzo Pinto 13 nov 2011, 17h09

O presidente da República da Itália, Giorgio Napolitano, encarregou o economista e ex-comissário da União Europeia (UE), Mario Monti, para a formação de um novo governo que ponha fim à crise da dívida, que deixou a Itália à beira da quebra.

Monti, de 68 anos, substituirá Berlusconi na liderança do país, anunciou neste domingo a presidência. A decisão foi tomada após uma série de reuniões com os líderes políticos de todos os partidos para a formação de um novo governo de emergência que conte com o consenso da maioria das forças políticas.

A nomeação de Monti deverá ser ratificada com um voto de confiança do Parlamento.

Com Monti, que foi durante dez anos comissário europeu, a Itália deverá pôr fim à fase de instabilidade financeira e aliviar as tensões de mercado em relação aos rumos do país.

O economista, conhecido por seu rigor e pragmatismo, deverá completar em poucos dias a lista de ministros, a maioria tecnocratas, para obter o apoio do Parlamento e impulsionar as medidas acordadas com a UE para reduzir a colossal dívida pública e reaquecer uma economia cronicamente estagnada.

Após sua designação, Monti afirmou que o país “pode vencer a crise através do esforço coletivo”. Ele advertiu, no entanto, que a Itália deve ser antes de tudo um elemento de “força e não de debilidade” da União Europeia.

As afirmações foram feitas durante uma breve declaração, realizada após sua designação oficial neste domingo por parte do presidente da República.

Segundo Monti, para que a Itália se redima, ganhe direcionamento financeiro e volte a crescer economicamente, é necessário aplicar programas com “equidade social”.

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“Devemos isso a nossos filhos. Temos que lhes dar um futuro concretamente digno e com esperanças”, disse.

O presidente Napolitano reconheceu, por sua vez, que “Monti é uma personalidade independente das intrigas políticas, respeitada na Europa e internacionalmente”

Após o anúncio, o ex-chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, afirmou que apoia a formação de um governo “tecnocrático” para salvar a Itália da crise, mas disse também que “não se renderá” e que continuará trabalhando no Parlamento.

“Estamos prontos para apoiar os esforços do presidente da República para formar um governo tecnocrático com um amplo consenso do Parlamento”, afirmou Berlusconi em uma mensagem transmitida pela televisão, na qual disse também que “multiplicará” seu trabalho no Parlamento para reformar a Itália.

Berlusconi apresentou sua renúncia no sábado, entre vaias e aplausos de centenas de italianos, que foram às ruas para comemorar o que foi considerado “um dia histórico” pela a imprensa italiana.

“Eu senti tristeza e dor pelo fato de que um gesto generoso foi recebido com vaias e insultos”, disse ele.

A União Europeia (UE) parabenizou a Itália neste domingo pela designação de Monti para formar um novo governo italiano, mas advertiu que continuará vigiando a aplicação de reformas para combater a crise da dívida.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e o presidente da UE, Herman Van Rompuy, declararam que a decisão do presidente italiano, Giorgio Napolitano, de encarregar Monti para a função de formar um governo “é um novo sinal da determinação das autoridades italianas em superar a crise atual”.

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