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Pré-requisito para negociações, Afeganistão liberta militantes do Talibã

Ação acontece no fim de um cessar-fogo de três dias e abre margem para o início das conversas de paz entre Cabul e insurgentes

Por Da Redação Atualizado em 3 ago 2020, 14h57 - Publicado em 3 ago 2020, 14h21

Em meio a um cessar-fogo de três dias entre o governo do Afeganistão e o Talibã que expira nesta segunda-feira, 3, centenas de militantes do grupo terrorista foram libertados, em uma tentativa de avançar com conversas de paz. Até esta segunda, Cabul libertou 500 combatentes do Talibã, dos quais 317 faziam parte do acordo de troca de prisioneiros que é pré-requisito para que os lados entrem na mesa de negociações. O grupo insurgente, por outro lado, confirmou ter libertado 1.000 afegãos que estavam sob sua custódia.

Ao todo, Cabul libertou 4.917 dos 5.000 insurgentes exigidos pelo grupo armado, mas ainda há 400 outras pessoas sob custódia. No entanto, o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, afirmou não ter autoridade constitucional para libertar o restante dos prisioneiros, uma vez que cometeram crimes graves, segundo a emissora Al Jazeera. Para decidir o destino dos últimos insurgentes sob custódia, Ghani convocou o conselho consultivo Loya Jirga – composto por anciãos de tribos do país.

O acordo que possibilita as negociações entre o Talibã e Cabul foi arranjado pelos Estados Unidos, que almejam deixar o país após quase duas décadas de presença militar. No entanto, tensões internas e atrasos na libertação dos presos vêm adiando o início das conversas.

Na terça-feira 28, tanto os insurgentes quanto o governo anunciaram um cessar-fogo durante os três dias do feriado religioso Eid Adha. Junto da calma entre os dois lados, que apesar da trégua afirmaram que estavam prontos para contra-atacar caso fossem notadas violações à paz temporária, Ghani e os líderes insurgentes indicaram que as negociações podem começar logo após o fim do feriado.

“Este Eid Adha parece diferente, os parques estão cheios de gente, quase esquecemos que estamos em guerra há 40 anos”, disse Shahpoor Shadab, um morador de Jalalabad, no leste do Afeganistão.

O raro respiro representado pela trégua, a terceira em 19 anos de conflito, permitiu que afegãos se deslocassem e encontrassem suas famílias.

“Pude visitar meu povoado pela primeira vez em dois anos”, disse Khalil Ahmad, da instável província de Uruzgan, controlada pelos insurgentes. “Havia vários postos de controle do Talibã na estrada, mas não incomodaram ninguém”, explicou.

“Estou um pouco desanimado, pois os mortos e o sangue podem voltar a partir de amanhã”, admitiu Fawad Babak, comerciante de Cabul.

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Na província de Zabul, foram recitados poemas pedindo que a trégua seja permanente. “A paz é uma necessidade e uma aspiração para todos”, assegurou Saedar Wali, que participou do ato.

“É uma grande oportunidade para que hoje se prolongue o cessar-fogo e amanhã comecem as negociações com o Talibã”, acrescentou.

Mais de 3.500 membros das forças de segurança afegãs e cerca de 800 civis morreram desde que foi assinado o acordo entre o Talibã e os Estados Unidos, segundo o presidente afegão, que atribui a maioria das mortes de civis aos insurgentes.

  • Atentado do Estado Islâmico

    A frágil calma foi rompida neste domingo depois que um grupo armado atacou um presídio em Jalalabad, no leste do Afeganistão. Segundo o governo, 29 pessoas foram mortes durante o atentado.  O ataque foi reivindicado pelo Estado Islâmico.

    A prisão tinha sob custódia cerca de 1.700 pessoas ligadas ao Talibã e ao Estado Islâmico. Os cerca de 1.000 detentos que fugiram foram recapturados, segundo as forças de segurança.

    O ataque ocorreu um dia após a agência de inteligência anunciar a morte de um alto comandante do Estado Islâmico, perto da região onde fica o presídio. Nos últimos meses, o Estado Islâmico intensificou suas operações no país, enquanto governo e insurgentes se preparavam para o início das conversas de paz.

    A província de Nangarhar foi palco de vários ataques do grupo terrorista neste ano. Em maio, um atentado reivindicado pelo grupo matou 32 pessoas no funeral de um comandante da polícia.

    (Com AFP)

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