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Polícia tenta vencer pelo cansaço suspeito de assassinatos

Cerco a Mohammed Merah em Toulouse completou 30 horas nesta madrugada

Por Da Redação 22 mar 2012, 05h03

O cerco ao suposto assassino de Toulouse completou 30 horas na madrugada desta quinta-feira. Mohammed Merah, de 24 anos, está acossado por 300 agentes da polícia francesa em um prédio residencial localizado em Toulouse, no sul da França. Ele é acusado de ter assassinado três crianças e um adulto em uma escola judaica, além de ter matado outros três soldados, também de origem judaica.

De acordo com o ministro do Interior francês, Claude Gueant, a atual estratégia da polícia é vencer o suspeito pelo cansaço. A polícia faz pressão psicológica com a explosão de bombas de efeito moral e de gás, e a energia elétrica foi cortada no quarteirão. Gueant disse que deseja caputar Merah vivo: ‘São contempladas todas as hipóteses. Temos uma prioridade, que é entregá-lo à Justiça, e para isso é preciso detê-lo vivo. Esperamos que siga vivo”.

Segundo o ministro, já faz algum tempo que o suposto assassino não se manifesta e não se sabe se ele continua vivo. Ele havia concordo em se entregar às 22h45 de ontem, no horário local (18h45, de quarta-feira em Brasília), mas chegada a hora, voltou atrás e disse que “morreria com as armas nas mãos”.

O suposto assassino, de 23 anos, está cercado desde as 3h de quarta-feira (horário local) por um forte dispositivo policial, em seu domicílio, um apartamento no primeiro andar de um edifício no bairro Côte Pavée, em Toulouse.

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Durante a noite passada, os agentes do RAID, o corpo de elite da Polícia francesa, produziu diversas detonações para pressionar o suspeito.

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Histórico – Merah trabalhava como mecânico e havia tentado entrar na Legião Estrangeira da França em 2010. Conforme o site da revista Le Point, Merah, francês de origem argelina, foi expulso da corporação em seu primeiro dia e atualmente trabalhava como serralheiro em Toulouse, no sul da França.

O jovem procurou grupos islâmicos radicais com os quais também estava envolvido seu irmão, que foi preso nesta quarta-feira. Merah, que afirmou pertencer à Al Qaeda, fez duas viagens à fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão, em 2010 e 2011, para se integrar a grupos combatentes de talibãs em uma região onde atua o Movimento dos Talibãs do Paquistão (TIP), informou o jornal Le Monde.

Cerco policial à casa do assassino de Toulouse
Cerco policial à casa do assassino de Toulouse VEJA

Crimes – Segundo o ministro do Interior, Merah, de 23 anos, era conhecido pela polícia de Toulouse, pois já havia se envolvido em “uma dezena de atos de delinquência, alguns envolvendo violência”. Guéant o descreveu como “um pequeno delinquente que se radicalizou com um grupo salafista de Toulouse antes de viajar para o Afeganistão e Paquistão”. De acordo com o ministro, o grupo salafista, formando por cerca de 15 pessoas, é ideológico e “jamais se envolveu em atos criminais”.

Uma advogada que já defendeu Merah em 2004 e 2005, Marie-Christine Etelin, disse ao jornal francês Le Monde que o suspeito do massacre já foi condenado a um mês de prisão por dirigir sem licença. Merah deveria comparecer no início de abril perante um juiz de execução de penas que decidiria sobre a maneira de cumprir a punição.

Marie-Christine disse que não imaginava que seu cliente, um “jovem educado e cortês”, pudesse cometer atos de “uma dureza absoluta”. “Apesar de casos de delinquência, principalmente roubos, vi-o sempre como um indivíduo flexível em seu comportamento e não rígido até o ponto de pensar em um fanatismo”, afirmou. “Mas, há dois anos soube que havia se radicalizado subitamente e que havia ido ao Afeganistão”, acrescentou a advogada, que incentiva, “é claro”, seu cliente a se render.

(com agências Estado e EFE)

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