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Polícia investiga outro tabloide no caso das escutas ilegais

'Daily Star' empregou o jornalista Clive Goodman, ex-especialista em temas da realeza do 'News of the World', preso nesta sexta-feira

Por Da Redação 8 jul 2011, 18h40

Em mais um desdobramento do escândalo das escutas ilegais praticadas pelo tabloide News of the World, a Scotland Yard está fazendo buscas na redação de outro jornal britânico, o Daily Star. O periódico sensacionalista é o novo local de trabalho do jornalista Clive Goodman, ex-especialista em temas da realeza do News of the World, que foi preso nesta sexta-feira.

Goodman, de 53 anos, foi detido em sua residência de Surrey, no sul de Londres. Ele já havia sido condenado a quatro meses de prisão em 2007, por grampear os telefones de membros da família real. Goodman agora responde pela acusação de subornar a polícia de Londres em troca de informações confidenciais de investigações em andamento. Os pagamentos teriam sido autorizados por Andy Coulson, também detido nesta manhã. Coulson foi editor do News of the World e secretário de imprensa do primeiro-ministro britânico.

Novas regras – A prisão de Coulson atingiu o entorno político do premiê David Cameron, que foi rápido em posicionar-se sobre o caso, prometendo abrir duas investigações sobre o escândalo. Em seguida, ele anunciou que também vai criar uma comissão independente para preparar novas regras para a imprensa. “Este escândalo não tem a ver só com alguns jornalistas e um jornal”, disse Cameron. “Não tem a ver tampouco só com a imprensa. Tem a ver também com a polícia. E, sim, tem a ver ainda com os políticos e com a forma como a política funciona.”

O escândalo – O caso estourou há cinco anos, quando foi revelado que jornalistas do jornal semanal mais vendido do mundo em língua inglesa recorriam a grampos para ter acesso a conversas de políticos e celebridades. A crise se agravou no início de junho deste ano, quando a polícia britânica descobriu que personalidades como Kate Middleton e o ex-premiê Tony Blair haviam sido alvos das escutas ilegais do News of the World.

Recentemente, o caso ganhou uma dimensão ainda maior com a revelação de que um dos alvos de escuta ilegal foi Milly Dowler, uma menina de 13 anos que desapareceu em 2002 e depois foi encontrada morta. Mensagens de sua caixa postal foram apagadas pelos investigadores pagos pelo tabloide, de modo a liberar espaço para mais recados. Isso induziu polícia e familiares a pensar que a garota ainda estivesse viva. Com o cerco fechado, o proprietário do tabloide, o magnata das comunicações Rupert Murdoch, decidiu, nesta quinta-feira, fechá-lo. Neste domingo, o tabloide fundado em 1843 vai circular pela última vez.

(Com agências Reuters, France-Presse e EFE)

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