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Polícia deixa bairro de Seattle e Trump ameaça intervir com força militar

Governador do estado de Washington não poupou críticas ao presidente: 'Forças Armadas não servem para proteger fragilidade de um presidente inseguro'

Por Da Redação - Atualizado em 12 jun 2020, 15h30 - Publicado em 12 jun 2020, 15h12

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou usar força militar para tomar uma área da cidade de Seattle que foi definida como “zona autônoma” pelos manifestantes que protestam contra o racismo e a violência policial. Em resposta à intimidação, o governador do estado de Washington, o democrata Jay Inslee, disse nesta quinta-feira 11 que “um homem que é totalmente incapaz de governar deve ficar de fora dos assuntos” locais.

Desde o início da semana, o bairro de Capitol Hill é controlado pelos manifestantes, depois que o Departamento de Polícia de Seattle anunciou que abandonaria a delegacia da área, fecharia as janelas e daria rédea livre aos protestos. A decisão foi tomada após dias de enfrentamentos entre a população e os policias, com violência e gás lacrimogêneo.

Após a retirada dos agentes, o bairro que é o coração da arte e cultura da cidade foi apelidado de Zona Autônoma do Capitólio, ou CHAZ. “Este espaço é agora propriedade do povo de Seattle”, lê-se numa faixa colocada no próprio edifício da policia.

Crítico aos protestos que se espalham por todo o país, Trump ameaçou intervir na região. “Recuperem a sua cidade AGORA. Se não o fizerem, faço eu”, escreveu o presidente no Twitter, na quinta, depois de classificar os manifestantes do bairro como “terroristas internos” e de ter dito que o governador e a presidente da Câmara estavam sendo “ridicularizados”.

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“Terroristas domésticos tomaram Seattle, movidos por democratas da extrema esquerda, claro. LEI E ORDEM!”, escreveu também Trump.

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Em resposta às ameaças, o governador democrata Jay Inslee disse que “um homem que é totalmente incapaz de governar deve ficar de fora dos negócios do Estado de Washington”. “Não iremos permitir ameaças de violência militar contra os cidadãos de Washington vindas da Casa Branca”, escreveu no Twitter. “As Forças Armadas dos EUA servem para proteger os americanos, não a fragilidade de um presidente inseguro”, acrescentou.

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A presidente da Câmara Municipal de Seattle também aconselhou Trump a se manter longe de Capitol Hill. “Volte para o seu bunker”, respondeu Jenny Durkan na sua conta do Twitter, referindo-se ao bunker que serviu de refúgio ao presidente americano quando milhares de manifestantes se juntaram nas imediações da Casa Branca.

“Não é terrorismo. É patriotismo“, defendeu Durkan, acrescentando que “ameaçar invadir Seattle, dividir e incitar a violência não ajuda e devia ser ilegal”.

Esta não é a primeira vez que o governo de Washington entra em conflito com a Casa Branca. No início da pandemia de coronavírus, Trump teve atritos com diversos governadores democratas por acreditar que as restrições impostas pelo isolamento social deveriam ser relaxadas em áreas menos afetadas. Jay Inslee foi um dos políticos que se recusou a seguir as recomendações do presidente e criticou a postura do republicano.

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O assassinato de George Floyd em 25 de maio, em Minneapolis, foi o disparador dos protestos contra o racismo e a violência policial nos Estados Unidos. O homem negro de 46 anos foi rendido ex-policial Derek Chauvin sufocando-o com o joelho durante 8 minutos e 46 segundos. Imagens captadas por testemunhas mostraram que, mesmo repetindo a frase “Não consigo respirar”, Floyd não teve o pescoço liberado pelo policial.

Chauvin, de 44 anos, foi acusado de assassinato em segundo grau, e outros três policiais presentes foram acusados de auxílio e cumplicidade no crime. Floyd estava desarmado no momento da abordagem e foi detido sob a suspeita de ter utilizado uma nota de 20 dólares falsa.

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