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Piloto do voo MH370 planejou rota para ilha em simulador

Dados recuperados por técnicos em equipamento apreendido reforçam suspeita sobre comandante Zaharie Ahmad Shah, diz jornal britânico

Por Da Redação - 23 jun 2014, 17h20

O piloto do avião desaparecido da Malaysia Airlines traçou um plano de voo em direção a uma ilha remota no Oceano Índico usando um simulador que tinha em sua casa. Muitos dados do equipamento, incluindo esta rota em direção ao ponto onde as buscas pela aeronave estão concentradas agora, foram apagados, mas técnicos conseguiram recuperar as informações. Segundo o jornal britânico Daily Telegraph, a nova descoberta reforça a suspeita de que o capitão Zaharie Ahmad Shah tenha deliberadamente desviado o avião da rota previamente aprovada de Kuala Lumpur a Pequim.

A aeronave do voo MH370 desapareceu na noite de 8 de março com 239 pessoas a bordo. Desde então, as buscas pela aeronave seguiram várias pistas que acabaram descartadas. “Apesar da falta de provas claras, as suspeitas sobre o envolvimento do capitão Zaharie aumentaram à medida que os investigadores gradualmente eliminaram outros suspeitos em potencial e causas do desaparecimento”, diz a reportagem. Na semana seguinte ao acidente, investigadores fizeram buscas na casa do capitão em Kuala Lumpur e apreenderam o simulador.

O fato de nenhum indício de falha técnica ou mecânica ter sido revelado ajuda a reforçar a suspeita sobre o piloto, assim como o fato de que a investigação dos antecedentes dos passageiros e do restante da tripulação também não apontou nenhum motivo para sabotagem. O ministro interino de transportes da Malásia, Hishammuddin Hussein, negou que o piloto tenha sido apontado como principal suspeito.

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Na última semana, Hussein disse que a equipe de buscas do país começaria a vasculhar uma nova área no sul do Oceano Índico. Segundo o Telegraph, fontes ligadas à investigação confirmaram que o simulador foi usado para treinar pouso em uma pequena pista que existe em uma ilha nessa região.

Em março, investigadores já apontavam para a possibilidade de envolvimento do piloto, mas amigos e parentes negaram que ele tivesse qualquer motivo para sequestrar o próprio avião. Dados de satélite mostraram que a aeronave havia seguido para o Oceano Índico após um desvio abrupto na rota, e não para o Mar da China, como se acreditou em um primeiro momento. A mudança no voo apontou para a suspeita de uma ação deliberada de alguém em controle do avião, mas até o momento nada de concreto foi descoberto.

Como tem ocorrido ao longo de mais de três meses de desaparecimento, as hipóteses levantadas encontram pouca sustentação em fatos. Um psicólogo clínico que auxilia nas investigações sobre o desaparecimento mostrou-se cético sobre a possibilidade de o piloto ter sabotado o voo, segundo o The New York Times. Ninguém com a intenção de cometer suicídio voaria durante mais de seis horas com um avião lotado. Em casos anteriores relacionados a possíveis suicídios, pilotos aparentemente direcionaram a aeronave ao chão logo depois da decolagem.

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